Se estiver a ler este post, veja as horas. Sim, as horas! Estão no canto inferior direito do monitor. Se já forem 17h45, tem de levantar-se imediatamente e dirigir-se a uma janela virada a Oeste, para espreitar o céu!
A sério! É que está a perder uma das mais bonitas visões astronómicas dos últimos tempos: Júpiter e Vénus estão bem visíveis no céu da tarde, logo depois do por do Sol.
Para quem está no Brasil, vale a pena ficar atento a partir das 19h30, pois a partir daí já deve ser possível observar os planetas.
A estas horas, estes são os únicos astros visíveis, pois a luminosidade do Sol ainda não se esbateu o suficiente para deixar ver as estrelas. Portanto, não tem nada que enganar! ![]()
Esta é uma excelente ocasião para comparar o brilho e o tamanho aparente dos dois planetas. Vénus é o maior e mais brilhante dos dois; está mais “abaixo” e à “direita” (de quem está virado para o poente), e emite um forte brilho prateado. Júpiter é um pouco menor, está mais “alto” e à “esquerda” e tem um brilho mais suave. Ambos planetas estão no signo de Capricórnio, Vénus logo no início, a 01º19’ e Júpiter já a mais de meio, a 18º55’.
E agora, chega de conversas. Toca a levantar da cadeira e a ir olhar o céu. Garantimos que vale a pena!
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PS: Quem não tiver janela do lado poente, nada está perdido: há outras coisas bonitas para observar no céu. Basta esperar mais um pouco (até cerca das 18h30 para Portugal, ou das 20h45 para o Brasil), e espreitar numa janela virada a nascente, e onde poderá observar o erguer da Lua. É também um espectáculo deslumbrante. ![]()
Amanhã e depois (sexta e sábado), poderemos observar no céu a Oeste uma magnífica conjunção Lua-Vénus em Sagitário.
A constelação será visível a partir das 18h00, quando a última luz do dia tiver quase desaparecido, e apenas durante 15/20 minutos, antes de desaparecer abaixo do horizonte. Isto se o tempo ajudar e se as nuvens não vierem estragar a festa…
Na sexta veremos Vénus a 16º e a Lua a 9º; nesse dia a Lua fará uma ocultação a Antares, também situada a 9º de Sagitário.
No sábado veremos Vénus já a 16º e a Lua a 21º desse signo, já muito afastada de Antares.
É uma boa ocasião para apreciar a velocidade de deslocação da Lua, em comparação com o movimento relativamente mais lento de Vénus.
Isto se as nuvens ajudarem… mantendo-se afastadas da conjunção ![]()

A questão surge volta e meia, quando se fala de observação astronómica.
Há sempre alguém que diz que Vénus é a estrela da manhã, e alguém que contradiz, afirmando que é a estrela da tarde.
E instala-se a dúvida: afinal Vénus é a estrela da manhã ou a estrela da tarde?
E a resposta é… (rufam os tambores
… )… as duas coisas, dependendo da situação!
Em certas alturas Vénus é a Estrela da Manhã, e noutras é a Estrela da Tarde.
Tudo depende da sua posição em relação ao Sol: quando está situada “antes” deste é a Estrela da Manhã, pois só pode ser vista de manhã, antes da alvorada; quando está situada “depois”, é a Estrela da Tarde, pois só é observável ao crepúsculo, depois do poente.
Hoje, por exemplo, temos o Sol no início de Escorpião e Vénus a meio de Sagitário. Quer isto dizer que se ergue depois do Sol, quando já é dia claro; fica portanto obliterada pelo brilho do astro-rei e só se torna visível ao anoitecer, depois do brilho solar já ter desaparecido; nesta fase, Vénus é portanto a Estrela da Tarde.
A situação mantém-se até ao próximo dia 7 de Março, altura em que Vénus, entra em retrogradação. Nessa data o planeta está a 15º de Carneiro, iniciando a sua aproximação ao Sol, que está a 17º de Peixes. A conjunção exacta (casimi) ocorre a 7º de Carneiro, no dia 27 desse mês. Segue-se a afastamento, que se estende até 16 de Abril, altura em que Vénus retoma o movimento directo. Nessa altura, Vénus já terá atravessado todo o signo de Carneiro, em movimento retrógrado, encontrando-se a 29º de Peixes; entretanto, o Sol terá avançado até aos 27º de Carneiro.
Temos portanto Vénus no signo anterior ao do Sol, na prática, isto quer dizer que se ergue antes do luminar e que por tanto, pode ser observada de manhã, antes que a luz da alvorada oblitere o seu brilho; nesta fase Vénus será Estrela da Manhã.
Por causa destas mudanças Vénus tem duas designações distintas: quando é Estrela da Manhã tem o nome de Vénus Lúcifer, a que traz a Luz; quando é Estrela da Tarde é designada Vénus Vesper ou Hesperos, a que anuncia o dia seguinte (literalmente: a véspera do novo dia).
E pronto, aqui fica a resposta à pergunta que nos é feita tantas vezes pelos estudantes: Vénus é Estrela da Manhã e também Estrela da Tarde – da Manhã quando está no signo “anterior” ao do Sol e se levanta antes deste, da Tarde quando está no signo “seguinte” ao do Sol e se põe depois deste.
Estas mudanças na condição do planeta têm, obviamente, significados relevantes na interpretação astrológica, mas isso já é tema de outro blog… este é de Astronomia para astrólogos, não de interpretação. ![]()
Na noite de quarta feira 17, se tivermos sorte, poderemos observar a Oeste, logo depois do por-do-Sol, um stellium, ou seja, a conjunção de três (ou mais) planetas.
Neste caso, os planetas são Mercúrio, Vénus e Marte, e estão posicionados em Balança.
Formam um pequeno triângulo, com Vénus ao centro, Marte mais abaixo e à “direita” e Mercúrio ainda mais abaixo, à “esquerda”. É uma configuração magnífica, mas bastante difícil de observar; é preciso esperar que a luz do Sol se desvaneça inteiramente, e por essa altura já o trio de planetas está prestes a desaparecer abaixo do horizonte.
Temos portanto de reunir três condições especiais:
- pontualidade: os planetas estão visíveis apenas durante um curto período, logo depois do por do Sol, aproximadamente entre as 20h00 e as 20h15 (só 15 minutinhos!); antes disso ainda estão ofuscados pela luminosidade; logo a seguir desaparecem no horizonte.
- localização estratégica: há que escolher um ponto de observação virado a Oeste, com um campo de visão desimpedido, sem obstáculos visuais como prédios altos, árvores, montanhas, estádios de futebol, a Grande Muralha da China, etc. ![]()
- sorte: precisamos de ter um céu limpo, sem barrão de nuvens no horizonte.
Temos portanto de escolher com antecedência um bom local de observação e estar lá à hora certa. É um esforço, mas pena. ![]()
O problema das nuvens é mais complicado, pois não depende de nós, é uma questão de sorte… Mas, como sabemos, a sorte anda sempre por perto dos que se dispõem a fazer o esforço. ![]()
Nota: esta tripla conjunção já está formada há vários dias e vai continuar durante mais algum tempo, mas tem sido muito difícil de observar, devido à proximidade do Sol. Escolhemos este dia porque oferece boas condições de observação: os planetas estão muito próximos entre si e bastante afastados do Sol. Quem não conseguir ver hoje, pode tentar nas próximas noites, por volta desta hora, pois o stellium ainda vai manter-se por alguns dias.
Desta vez não apresentamos uma imagem dos planetas, por absoluta falta de tempo (estamos de partida para Inglaterra, onde apresentaremos quatro palestras).
Hoje há Lua Cheia!
Sim, é verdade que há Lua Cheia todos os meses. Mas todas as luas cheias são diferentes, pois ocorrem em pontos diferentes do Zodíaco. E todas são bonitas. ![]()
A deste mês será a 22º54’ de Peixes (com o Sol no mesmo grau do signo oposto, a 22º54’ de Virgem). O momento exacto da oposição ocorre às 10h14 (06h14 no Brasil). Nessa altura a Lua está abaixo do horizonte; só será visível muito mais a Oeste, por exemplo em Lima, no Peru, Cidade do México ou Los Angeles.
Mas não faz mal. Podemos observar a Lua na noite anterior e na noite seguinte à lunação, e comparar as mudanças de localização e luminosidade.
Assim, na noite de domingo para segunda (anterior à lunação), pelas 22h00, teremos a Lua quase cheia, a 16º00’ de Peixes; na noite de segunda para terça (já depois da lunação), à mesma hora, a Lua estará já a 29º38’ de Peixes, já em fase minguante.
Como nesta área do Zodíaco só estrelas relativamente pequenas (e que, além disso, estão ofuscadas pelo brilho da Lua Cheia), não temos pontos de referência para avaliar a distância percorrida. Em todo o caso, sabemos que a Lua avançou 13º38’ em 24 horas, o que é um pouco acima da sua média diária, de 13º11’.
Quanto à luminosidade, a diferença é subtil mas ainda assim perceptível. Na primeira noite, a Lua estará crescente e quase cheia, faltando-lhe apenas uma pequena porção (em forma de crescente, do lado “esquerdo”) para formar o círculo perfeito; na noite seguinte já ultrapassou o círculo total, faltando-lhe agora uma pequena porção (um crescente do lado “direito”).
Agora é só sair para observar a Lua, nas duas noites indicadas, e descobrir as diferenças! ![]()
Amanhã, domingo, perto da meia-noite, poderemos ver a Lua próxima de Fomalhaut.

Fum-al-hut, a boca do peixe, é uma estrela de primeira grandeza, da natureza de Vénus e Mercúrio, situada a 3º51’ de Peixes. Vale a pena ficar a vê-la, mesmo sendo véspera de dia de trabalho.

Amanhã, sábado, teremos um eclipse lunar parcial.
Em Portugal o eclipse tem início às 19h35, pouco depois da Lua se levantar.
Nesse momento, a Lua toca a sombra da Terra e começa a sua ocultação que tem o seu máximo às 22h10 com a Lua cerca de 80% obscurecida. O eclipse termina às 23h44 quando a Lua sai totalmente da sombra.
No Brasil (Brasília) a Lua levanta-se já eclipsada, por volta das 18h00, e o eclipse terá o seu máximo logo às 18h10.

Neste eclipse a Lua passa pelo seu Nodo Norte, localizado a 18º de Aquário, e adquire Latitude Norte, passando a movimentar-se “acima” da eclíptica (para aqueles no Hemisfério Norte, ou abaixo, no Hemisfério Sul).

Durante o eclipse a Lua estará próxima das estrelas Nashira, Deneb al Gedi e Sadalsuud, das constelações do Capricórnio (as duas primeiras) e do Aquário.
Nashira (21º47’ de Aquário, da natureza de Saturno-Júpiter) e Deneb al Gedi (23º32’ de Aquário, da natureza de Saturno-Júpiter) são as duas estrelas logo abaixo da Lua. Sadalsuud (23º23’ de Aquário, da natureza de Saturno e Mercúrio) encontra-se directamente por cima da Lua, mas mais afastada.
Vamos ver se o tempo nos permite ver o eclipse, pois os boletins meteorológicos indicam chuva para Lisboa…
Amanhã, quarta-feira, a Lua estará novamente muito próxima a Júpiter, servindo de excelente referencial para a observação deste planeta.

Júpiter fica “acima” e “à direita” da Lua.

No Hemisfério Sul Júpiter estará à “direita” e ligeiramente “abaixo” do nosso satélite.
Amanhã, domingo, pelas 22 horas, veremos a Lua a formar uma conjunção próxima a Antares.

Esta estrela, também conhecida como o “coração do Escorpião”, está situada a 9º46’ desse signo.Vale a pena observá-la pelo seu brilho espectacular e pulsação forte.

Amanhã, sexta-feira, poderemos observar a Lua entre as pinças do Escorpião.
Do ponto de vista astrológico (isto é, no Zodíaco Tropical, dos signos), a Lua está a 16º de Escorpião, mas na perspectiva astronómica (Zodíaco Sideral, das constelações) está a meio da constelação de Libra (a balança) à qual pertencem as pinças do Escorpião (que são também os pratos da Balança - ver post anterior sobre este tema).

Para quem observa, os zubens parecem estar ambos “acima” e um pouco “à direita” da Lua; Zuben Elgenubi (a Pinça do Sul, situada a 15º05’ de Escorpião) mais perto, Zuben Elschemali (a pinça do Norte, a 19º22’) um pouco mais longe.

Para quem observa no Hemisfério Sul, as pinças ficam ambas “à direita” da Lua, Zuben Elbenubi mais próximo, ligeiramente “abaixo” e Zuben Elschemali um pouco mais distante, à mesma “altura” que a Lua.
Também nesta noite, a Lua faz a quadratura exacta ao Sol às 21h20; é portanto uma excelente ocasião para ver o Quarto Crescente, ou seja, uma “meia-lua” perfeita: a Lua estará iluminada apenas na sua metade “direita” (no Quarto Minguante está iluminada apenas na metade “esquerda”).
Agora que a Lua volta a estar visível às primeiras horas da noite, voltamos às nossas observações astronómicas. Mais uma vez, a Lua vai servir-nos de “ponteiro” para indicar a localização dos planetas e das estrelas.
Já próxima quarta-feira, dia 6, pelas 22 horas, a Lua volta a estar próxima de Spica, uma estrela de 1ª grandeza. É aquela estrela brilhante, um pouco “acima” e “à esquerda” da Lua. Para quem observa no Hemisfério Sul, é a estrela “à direita” da Lua.
Esta observação, muito semelhante à que fizemos no mês passado, permite-nos avaliar a duração de um mês lunar e experienciar de forma prática os ciclos da Lua. Com efeito, já passaram 27 dias e meio desde a última vez que a Lua esteve conjunta a Spica (por alturas das conjunção Saturno-Marte).

Esta noite é ainda possível observar Arcturus (24º15’ de Balança), outra estrela de 1ª grandeza, situada também “acima” e à “esquerda” da Lua, mas a uma distância maior; no Hemisfério Sul, fica “à direita” e quase à mesma “altura” da Lua, mas mais afastada que Spica (por causa deste afastamento, não está representada na imagem).
Voltando a Spica verificamos que está a 23º51’ do signo de Balança, mas na constelação de Virgem.

Aliás, o nome desta estrela significa “espiga”, em referência à espiga de trigo que a Virgem segura nas mãos. No Médio Oriente, este grupo de estrelas era antigamente associado à deusa Ashera, da fertilidade e das colheitas. Alguns povos chamavam-na “a que vem do mar”, e nos Zodíacos antigos é por vezes representada como uma sereia segurando uma espiga.
Para além de toda a mitologia associada, Spica é uma das estrelas mais brilhantes e bonitas do céu de Verão. Vale a pena sair para um local pouco iluminado, só para admirá-la. Pode ser facilmente observada, mesmo numa grande cidade.
No próximo dia 1 de Agosto, sexta-feira, haverá um eclipse solar total… que apenas será visível nos países situados muito a Norte.
Poderá ser observado no Canadá, Pólo Norte, península da Escandinávia, Sibéria, Norte do Irão, parte da Mongólia, Norte da Índia, Norte do Paquistão e China.
Quanto a nós, Portugal e Brasil… não o veremos, nem por sombras ![]()
Para a interpretação deste evento, na perspectiva da Astrologia Mundana, sugerimos o artigo O Eclipse Olímpico, publicado no nosso site (ver aqui).
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Um blog para os estudantes de Astrologia que gostam de compreender o que observam nos céus!
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