Amanhã, sábado, teremos um eclipse lunar parcial.
Em Portugal o eclipse tem início às 19h35, pouco depois da Lua se levantar.
Nesse momento, a Lua toca a sombra da Terra e começa a sua ocultação que tem o seu máximo às 22h10 com a Lua cerca de 80% obscurecida. O eclipse termina às 23h44 quando a Lua sai totalmente da sombra.
No Brasil (Brasília) a Lua levanta-se já eclipsada, por volta das 18h00, e o eclipse terá o seu máximo logo às 18h10.

Neste eclipse a Lua passa pelo seu Nodo Norte, localizado a 18º de Aquário, e adquire Latitude Norte, passando a movimentar-se “acima” da eclíptica (para aqueles no Hemisfério Norte, ou abaixo, no Hemisfério Sul).

Durante o eclipse a Lua estará próxima das estrelas Nashira, Deneb al Gedi e Sadalsuud, das constelações do Capricórnio (as duas primeiras) e do Aquário.
Nashira (21º47’ de Aquário, da natureza de Saturno-Júpiter) e Deneb al Gedi (23º32’ de Aquário, da natureza de Saturno-Júpiter) são as duas estrelas logo abaixo da Lua. Sadalsuud (23º23’ de Aquário, da natureza de Saturno e Mercúrio) encontra-se directamente por cima da Lua, mas mais afastada.
Vamos ver se o tempo nos permite ver o eclipse, pois os boletins meteorológicos indicam chuva para Lisboa…
Amanhã, quarta-feira, a Lua estará novamente muito próxima a Júpiter, servindo de excelente referencial para a observação deste planeta.

Júpiter fica “acima” e “à direita” da Lua.

No Hemisfério Sul Júpiter estará à “direita” e ligeiramente “abaixo” do nosso satélite.
Amanhã, domingo, pelas 22 horas, veremos a Lua a formar uma conjunção próxima a Antares.

Esta estrela, também conhecida como o “coração do Escorpião”, está situada a 9º46’ desse signo.Vale a pena observá-la pelo seu brilho espectacular e pulsação forte.

Amanhã, sexta-feira, poderemos observar a Lua entre as pinças do Escorpião.
Do ponto de vista astrológico (isto é, no Zodíaco Tropical, dos signos), a Lua está a 16º de Escorpião, mas na perspectiva astronómica (Zodíaco Sideral, das constelações) está a meio da constelação de Libra (a balança) à qual pertencem as pinças do Escorpião (que são também os pratos da Balança - ver post anterior sobre este tema).

Para quem observa, os zubens parecem estar ambos “acima” e um pouco “à direita” da Lua; Zuben Elgenubi (a Pinça do Sul, situada a 15º05’ de Escorpião) mais perto, Zuben Elschemali (a pinça do Norte, a 19º22’) um pouco mais longe.

Para quem observa no Hemisfério Sul, as pinças ficam ambas “à direita” da Lua, Zuben Elbenubi mais próximo, ligeiramente “abaixo” e Zuben Elschemali um pouco mais distante, à mesma “altura” que a Lua.
Também nesta noite, a Lua faz a quadratura exacta ao Sol às 21h20; é portanto uma excelente ocasião para ver o Quarto Crescente, ou seja, uma “meia-lua” perfeita: a Lua estará iluminada apenas na sua metade “direita” (no Quarto Minguante está iluminada apenas na metade “esquerda”).
Agora que a Lua volta a estar visível às primeiras horas da noite, voltamos às nossas observações astronómicas. Mais uma vez, a Lua vai servir-nos de “ponteiro” para indicar a localização dos planetas e das estrelas.
Já próxima quarta-feira, dia 6, pelas 22 horas, a Lua volta a estar próxima de Spica, uma estrela de 1ª grandeza. É aquela estrela brilhante, um pouco “acima” e “à esquerda” da Lua. Para quem observa no Hemisfério Sul, é a estrela “à direita” da Lua.
Esta observação, muito semelhante à que fizemos no mês passado, permite-nos avaliar a duração de um mês lunar e experienciar de forma prática os ciclos da Lua. Com efeito, já passaram 27 dias e meio desde a última vez que a Lua esteve conjunta a Spica (por alturas das conjunção Saturno-Marte).

Esta noite é ainda possível observar Arcturus (24º15’ de Balança), outra estrela de 1ª grandeza, situada também “acima” e à “esquerda” da Lua, mas a uma distância maior; no Hemisfério Sul, fica “à direita” e quase à mesma “altura” da Lua, mas mais afastada que Spica (por causa deste afastamento, não está representada na imagem).
Voltando a Spica verificamos que está a 23º51’ do signo de Balança, mas na constelação de Virgem.

Aliás, o nome desta estrela significa “espiga”, em referência à espiga de trigo que a Virgem segura nas mãos. No Médio Oriente, este grupo de estrelas era antigamente associado à deusa Ashera, da fertilidade e das colheitas. Alguns povos chamavam-na “a que vem do mar”, e nos Zodíacos antigos é por vezes representada como uma sereia segurando uma espiga.
Para além de toda a mitologia associada, Spica é uma das estrelas mais brilhantes e bonitas do céu de Verão. Vale a pena sair para um local pouco iluminado, só para admirá-la. Pode ser facilmente observada, mesmo numa grande cidade.
No próximo dia 1 de Agosto, sexta-feira, haverá um eclipse solar total… que apenas será visível nos países situados muito a Norte.
Poderá ser observado no Canadá, Pólo Norte, península da Escandinávia, Sibéria, Norte do Irão, parte da Mongólia, Norte da Índia, Norte do Paquistão e China.
Quanto a nós, Portugal e Brasil… não o veremos, nem por sombras ![]()
Para a interpretação deste evento, na perspectiva da Astrologia Mundana, sugerimos o artigo O Eclipse Olímpico, publicado no nosso site (ver aqui).
Amanhã e depois, dias 16 e 17, a partir das 22h30, poderemos observar a Lua quase cheia conjunta a Júpiter.
O brilho prateado de Júpiter não é ofuscado pela Lua, embora esta se encontre já na fase de máxima luminosidade.

Além disso, existe uma diferença de latitude superior a 3º, o que já é bastante perceptível; a Lua está a 3º22’ Sul e Júpiter apenas a 00º13’ Sul, em relação à eclíptica.
Quanto às longitudes (ou seja, a projecção na eclíptica), a situação é diferente.
No dia 16, às 22h30 (19h30 para o Brasil) a Lua está a 8º35 e Júpiter a 16º30’ do signo de Capricórnio; a conjunção é portanto aplicativa: a Lua, rápida, dirige-se a Júpiter, mais lento.
No dia 17 à mesma hora já a Lua avançou 12º e 8’, encontrando-se agora a 20º43’ de Capricórnio; entretanto Júpiter (que está retrógrado) recuou 8’, encontrando-se agora a 16º22’ graus do mesmo signo; a conjunção é agora separativa.
Recordamos que a Lua e Júpiter estão no signo de Capricórnio (perspectiva astrológica) mas na constelação do Sagitário (perspectiva astronómica).

Na prática, veremos a Lua a passar “abaixo” de Júpiter; amanhã estará “abaixo” e “à esquerda”; no dia seguinte, “abaixo” e “à direita” do planeta.
No Brasil, a configuração pode ser observada numa perspectiva quase invertida; a Lua estará “acima” e “à direita” de Júpiter no primeiro dia, passando para “abaixo” e “à direita” do planeta, no segundo.
Numa outra perspectiva, esta passagem da Lua oferece-nos uma boa oportunidade para localizar a constelação de Sagitário, uma das mais graciosas do Zodíaco.

A constelação de Sagitário tem sete estrelas principais, e várias estrelas menores (que não serão facilmente visíveis, devido à proximidade da Lua Cheia). As estrelas maiores representam o arco e a seta do arqueiro (Sagitário significa literalmente “o arqueiro” ou “o lançador de setas”; sagitta é o termo latino para seta).

Amanhã, pelas 22 e 30, a Lua, agora quase cheia, estará mesmo “no meio” desta constelação, e na quinta-feira, à mesma hora, terá já avançado para a zona de passagem entre as constelações de Sagitário e Capricórnio.
Hoje e amanhã, dias 13 e 14, pelas 22 horas, vamos ter oportunidade de ver a Lua muito próxima da estrela Antares, o coração do Escorpião.
Apesar da Lua estar já quase cheia, o que ofuscará um pouco o brilho da estrela, Antares é bem visível, mesmo em condições luminosas difíceis, como numa grande cidade.
A proximidade da Lua ajudará a identificar esta estrela, uma das mais brilhantes do céu de Verão.
No dia 13 a Lua estará “à direita” de Antares, e no dia 14 já terá ultrapassado a estrela, encontrando-se à sua “esquerda”.

Com referenciais celestes:

Em termos zodiacais, Antares encontra-se a 09º47’ do signo de Sagitário; é uma estrela de primeira magnitude e tem a natureza de Marte e Júpiter combinados. Está associada a força e coragem, mas também a fortes paixões e alguma agressividade.
O seu nome deriva de um termo Grego que significa “a rival de Ares” (Marte); esta designação deve-se ao seu brilho avermelhado, muito semelhante em cor ao do planeta Marte.
Em árabe denomina-se “al qalb[u] al acrav, literalmente “o coração do escorpião”, designação que advém da sua posição no centro da constelação, e também da sua cor e pulsação.
No hemisfério Sul a constelação pode ser vista a partir das 19h a Este e durante toda a noite estará bem alto no céu, muito próximo do zénite.
Hoje a Lua vai passar entre as duas estrelas que formam as “garras” do Escorpião.
Se a observarmos pelas 22h30 veremos que o crescente lunar está em pouco “abaixo” de duas estrelas de terceira magnitude, facilmente identificáveis.

Os seus nomes são Zuben Elgenubi e Zuben Eschemali, que em árabe significam a Pinça do Sul (do Escorpião) e a Pinça do Norte (do Escorpião), respectivamente.
Apesar desta ligação à constelação de Escorpião, estas estrelas correspondem aos dois pratos de Libra, a Balança.
Esta “mistura” entre as constelações deve-se às diferentes formas de agrupar as estrelas adoptadas pelos Árabes e pelos Gregos, e não tem quaisquer implicações na interpretação astrológica.
Recordamos de novo que na Astrologia Ocidental as constelações e os signos são diferentes; as primeiras pertencem ao Zodíaco Sideral, e as segundas ao Zodíaco Tropical; entre ambos existe actualmente um desfasamento de cerca de 24º, denominado Ayanamsa, que tem origem na Precessão dos Equinócios.

Em termos astrológicos, Zuben Elgenubi (a pinça ou prato Sul) tem uma natureza semelhante à de Saturno e Marte combinados, não sendo portanto muito simpática nos seus efeitos; a sua projecção na eclíptica corresponde a 15º46’ do signo de Escorpião.
Zuben Elschemali (a pinça ou prato Norte) tem a natureza de Júpiter e Mercúrio, o que indica efeitos mais agradáveis; corresponde a 20º04’ do signo de Escorpião.
Amanhã, quinta-feira, pelas 19h11 dá-se a conjunção exacta de Marte e Saturno, a 5º26’ de Virgem.
A interpretação astrológica desta conjunção já foi abordada no blog Primum Mobile (ver), pelo que não nos debruçaremos sobre o tema; aqui falaremos sobre a observação directa destes dois planetas.
Os 5º do signo de Virgem correspondem no Zodíaco sideral ao “centro” da constelação de Leão; recordamos que ocorre relativamente perto da estrela Regulus, a que os Árabes chamavam “al-qalb[u] al-’asad” (o coração do Leão).
No momento exacto da conjunção (19h11 em Portugal) os planetas ainda não estão visíveis, pois o Sol está acima do horizonte; só a partir das 22 horas, quando a luz do dia tiver desaparecido, é que poderemos avistá-la.

Na prática, este intervalo de três horas não faz grande diferença, pois Marte e Saturno não se afastam muito. Em rigor, Marte avançará apenas quatro minutos de grau e Saturno apenas um; esse ligeiro desfasamento das longitudes quase não é perceptível a olho nu.
Mesmo assim, os planetas vão parecer ligeiramente “desalinhados”. Isto deve-se à diferença de latitudes, que neste caso é de cerca de meio grau. Marte está actualmente com latitude 1º02’ N e Saturno com 1º41’ N.

Esta conjunção tão próxima permite-nos também apreciar a diferença de “cor” dos planetas. Marte tem um brilho avermelhado, a que os Antigos chamavam “cor de ferrugem”, e Saturno tem um brilho amarelado. As “cores” dos planetas serão em breve tema de um post.
No Hemisfério Sul a configuração terá este aspecto (latitude do Rio de Janeiro):

A inclinação do Equador Celeste e do Zodíaco será, obviamente, muito diferente da de Lisboa:

E já que estamos em maré de observações, vale a pena ver também a Lua, que estará a 26º40’ do signo de Balança (às 22h), muito próxima de Spica, uma estrela de primeira grandeza, de brilho branco-azulado, situada a 23º57’ do signo de Balança. (Note-se que no Zodíaco Sideral, ambas estão posicionadas na constelação de Virgem).
Na prática, Spica é fácil de localizar: é aquela estrela brilhante um pouco “acima” e “à direita” da Lua. (No Brasil a situação inverte-se: fica “abaixo” e “à esquerda” da Lua.)

Esta observação combinada permite-nos compreender a verdadeira distância entre os 5º de Virgem, onde ocorre a conjunção Marte-Saturno, e os 23º de Balança, onde se encontra Spica.
É na verdade uma distância enorme, bem diferente da representação em papel, que estamos habituados a ver nos mapas astrológicos.

Desejamos a todos excelentes condições de observação, isto é, um céu limpo, sem nuvens e sem “poluição” luminosa. Boa observação!
Esta noite, cerca das 22 horas (19h no Brasil), podemos observar a Lua muito próxima da estrela Algorab.
Algorab, que em árabe significa “o corvo”, é uma estrela de 3ª grandeza (não muito brilhante, portanto) situada na asa direita do Corvo.
Para quem a observa em Portugal, Algorab fica “abaixo” da Lua, um pouco “à direita”.

Em termos astrológicos, tem uma natureza semelhante a Marte e Saturno conjuntos, não sendo portanto das mais simpáticas. Fica situada a meio do signo da Balança, perto dos 13º.
Embora o Corvo seja exterior ao Zodíaco, as suas estrelas são “projectadas” na eclíptica; esta projecção é perpendicular à eclíptica (ver figura).
Neste caso, a Lua já “avançou” um pouco em relação à estrela.

Quem está no Brasil (ou Hemisfério Sul em geral), verá a estrela à “esquerda” e um pouco “acima” da Lua:

Esta estrela é portanto um bom marcador para encontrar o ponto médio do signo de Balança nos céus.
Quem olhar para o céu a oeste (o lado do poente) pelas 22 horas de hoje poderá ver uma magnífica configuração.
A Lua está muito próxima dos planetas Saturno e Marte, e ainda da estrela Regulus, uma das mais brilhantes do céu.

Veremos portanto um crescente em forma de “D” e logo por cima três “estrelas” em alinhamento quase perfeito. As duas “estrelas” mais próximas da Lua são na verdade planetas: Saturno, o mais elevado, tem um brilho branco-amarelado, e Marte, no centro, apresenta um tom branco-avermelhado; só o terceiro elemento do conjunto é de facto uma estrela, Regulus, o coração do Leão.
Para além de nos proporcionar um espectáculo lindíssimo, esta configuração oferece-nos ainda a oportunidade de compreender vários aspectos técnicos importantes.
Por um lado, permite-nos perceber a diferença entre o brilho dos planetas, que é fixo, e o das estrelas, que é cintilante (isto se a “poluição luminosa” ou as nuvens não interferirem…).
Por outro lado, ajuda-nos a entender a diferença entre Zodíaco Sideral e Zodíaco Tropical: por observação directa, vemos que a Lua e os planetas estão próximos de Regulus, que é o “coração do Leão”, pelo que concluímos que estão posicionados no signo de Leão (Zodíaco Sideral); contudo, o mapa astrológico do momento revela-nos que todos os corpos celestes envolvidos, excepto Regulus, estão no início do signo de Virgem (Zodíaco Tropical); esta diferença entre os dois zodíacos, designada Ayanamsa, é actualmente de cerca de 24º.
A observação directa permite-nos ainda avaliar as distâncias reais a que correspondem os graus astrológicos. Assim, Regulus está a no último grau de Leão e Marte a 3 graus e 6 minutos de Virgem; distam portanto pouco mais de 3º. De Marte a Saturno vão apenas dois graus, pois Saturno está a 5º e 3 minutos de Virgem (em rigor, distam 1º e 57’ um do outro); por fim a Lua está a 5 graus e 30 minutos de Virgem, ou seja, no mesmo grau de Saturno, distando deste apenas 27 minutos.
Isto leva-nos a uma outra questão: se estão assim tão perto, porque parecem “desalinhados”? Porque não se sobrepõem? O “desalinhamento” ocorre por causa da diferença de latitude do planeta: neste caso, Saturno está com latitude de 1 grau e 41 minutos Norte e a Lua com latitude de 1 grau e 30 minutos Sul. As indicações de Norte e Sul têm como referencial a eclíptica, ou seja, a linha média traçada pelo percurso aparente do Sol à volta da Terra, que define a linha central do Zodíaco. Os planetas podem estar posicionados “acima” desta linha imaginária, ficando então com latitude Norte, ou “abaixo” dela, com latitude Sul (os termos invertem-se para o hemisfério Sul, mas o raciocínio mantém-se). É por esta razão que os planetas nem sempre se sobrepõem; isso só acontece quando estão ambos com a mesma latitude (seja esta Norte ou Sul), para além de estarem com a mesma longitude (o mesmo grau zodiacal). Quando tal ocorre, diz-se que estão em ocultação.

No caso presente, vemos que a Lua está com latitude Sul, pois acabou de passar pelo seu Nodo Sul (actualmente a 20º 24’ de Leão). Os nodos são aliás os pontos onde a órbita da Lua cruza a eclíptica (ou seja o “centro” do Zodíaco); quando a Lua transita pelo Nodo Sul, adquire latitude Sul ficando “abaixo” da eclíptica; quando passa pelo Nodo Norte, ganha, obviamente, latitude Norte e fica “acima” da eclíptica. Estas passagens ocorrem todos os meses.
Tanta coisa que se pode deduzir de uma configuração planetária… mas que isto não nos faça esquecer a simples beleza do céu nocturno.
Um blog para os estudantes de Astrologia que gostam de compreender o que observam nos céus!
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