
O cometa Lulin, que desde mês passado cruza os céus, ficou hoje fora de visibilidade.
Em boa verdade, o termo “visível” nunca foi muito adequado, pois este cometa tem um brilho tão discreto que se torna quase impossível vê-lo olho nu, pelo menos nas zonas urbanizadas. O seu brilho é extremamente fraco, oscilando entre a 5ª e a 6ª magnitudes, ou seja, já no limite da visão humana.
Em todo o caso, Lulin (assim chamado por causa do observatório que primeiro o detectou) marcou a sua presença nos céus, um percurso que acompanhou de perto a eclíptica. Percorreu nada menos que quatro signos, começando em Escorpião e deslocando-se rapidamente, à razão de 5º por dia, até Leão. O seu movimento na direcção contrária à dos signos levantou muitas especulações, apesar de ser uma ocorrência bastante comum. Com efeito, Lulin não é o primeiro, nem será o último, cometa a movimentar-se contra-zodíaco; quanto a isso, nada de mais, apesar do muito que se tem especulado. O que já é mais invulgar é a sua proximidade à eclíptica, e a sua grande velocidade.
Quanto aos aspectos interpretativos… adiantamos desde já que se fazem sentir sobretudo a nível político e social; os efeitos nos mapas pessoais são mínimos. Além disso há que recordar que em Astrologia tradicional o efeito de qualquer corpo celeste é proporcional à sua visibilidade (a sua luz), pelo que neste caso podemos antecipar efeitos algo discretos…
Em todo o caso, aqui fica o mapa do seu percurso, durante o período de visibilidade.

(imagem Luís Ribeiro)
Para um estudo mais aprofundado sobre este cometa sugerimos o artigo (em inglês) de Luís Ribeiro, publicado no jornal The Tradition, que saiu hoje.

Na Terça Feira de Carnaval vamos poder assistir a dois fenómenos astronómicos muito interessantes e raros – isto se nos levantarmos bem cedo, antes do nascer do Sol (pelas 5h para Portugal, cerca das 4h para o Brasil).
Se nos virarmos para sudoeste (para o lado do poente) poderemos observar Saturno e o cometa Lulin, que nessa data atinge a sua maior proximidade à Terra; além disso, será também observável um trânsito de quatro das “luas” de Saturno “em frente” ao planeta, lançando sombras sobre a superfície. Este trânsito só ocorre de 14 em 14 anos, quando se dá um alinhamento perfeito entre Saturno, as “luas” e a Terra, e mesmo assim, raramente envolve mais de três satélites.
Desta vez serão quatro – Titan (a maior de todas), Mimas, Dione e Enceladus – que vão transitar quase em simultâneo, lançando a sua sombra sobre a superfície do planeta.
É portanto um fenómeno de grande interesse astronómico, pelo qual vale bem a pena madrugar. Só tem um pequeno inconveniente: só o poderemos ver… se tivermos um telescópio. Pois é… que pena! ![]()
A boa notícia é que basta um telescópio pequeno, daqueles usados por astrónomos amadores.
E como há muito quem tenha telescópios desses, nada está perdido. Com um bocadinho de sorte, havemos de conhecer alguém que é vizinho de alguém cujo primo tem um telescópio… depois é só explicar o caso, pedir o telescópio emprestado e ir passar uma noite ao campo… ![]()
(foto: NASA e STScI)
O Zodíaco que me perdoe, mas considero Orion a mais bela constelação do céu. ![]()
É certo que há constelações zodiacais deslumbrantes, como Escorpião e Sagitário, e sem dúvida que os amigos do Hemisfério Sul terão muito a dizer sobre a beleza das estrelas austrais; o céu estrelado é, no seu conjunto, um espectáculo magnífico – nisto estamos, por certo, todos de acordo.
Mas quem contempla Orion com olhos de ver, não mais a esquece.
Primeiro de tudo, a sua dimensão impressiona: é grande, momentosa, solene; quando sobe no céu nocturno, parece ofuscar todas as outras.
Notamos depois a sua simetria: sete estrelas grandes – duas acima, três ao centro e duas em baixo – formando uma espécie de trapézio duplo, adornado na parte inferior por uma nebulosa.
Apesar de enorme, a constelação mantém uma espécie de unidade, uma coesão interna; “sabemos” instintivamente que aquelas sete estrelas fazem parte de um conjunto, não nos ocorreria agrupá-las de outra forma.
Muito haveria a dizer sobre a mitologia associada à constelação, que foi buscar o seu nome actual a um mito grego.
Orion enfrenta o Touro (o do signo, esse mesmo), tornando assim bastante fácil a localização desse ponto zodiacal.

Por curiosidade, aqui ficam os nomes das estrelas e o seu significado aproximado em Árabe.
Da esquerda para a direita:
- em cima: Betelguese, “a mão” e Bellatrix, “a guerreira” (termo que deriva do Latim)
- ao centro : Alnitak, “o cinturão”, Alnilam, “o fio de pérolas” e Mintaka “o cinto”; estas estrelas são popularmente chamadas “Três Marias” e constituem uma das configurações mais fáceis de identificar
- em baixo: Saiph, “a espada” e Rigel, “o pé”
A nebulosa chama-se, previsivelmente, nebulosa de Orion, e constitui por si mesma um espectáculo notável para quem puder observá-la através de um telescópio.
Quem não tiver essa possibilidade, não faz mal, a observação a olho nu também vale a pena. A beleza das estrelas está sempre presente, com ou sem lentes de longo alcance. ![]()
Quem tiver possibilidades de observar o céu do lado do poente não deixe de ver na noite de fim de ano ao crepúsculo duas magníficas conjunções: Lua-Vénus, no final de Aquário, e Júpiter-Mercúrio, no final de Capricórnio.
Ficam visíveis no céu ocidental a partir das 17h30, logo depois do por do Sol; Vénus e a Lua estarão mais altas no céu, Júpiter e Mercúrio mais baixos, já muito perto do horizonte.
Se o céu estiver limpo, todos os planetas serão fáceis de observar, excepto Mercúrio, cujo brilho mais suave pode ser ofuscado pela luminosidade do Sol. Em todo o caso, basta detectar Júpiter para sabermos que Mercúrio estará lá por perto.

É um espectáculo a não perder, pois não é todas as noites que ocorrem estas configurações.
Sim, sabemos que calha na noite da Passagem de Ano, e que a essa hora estará toda a gente a preparar-se para a festa, mais interessados nas “conjunções” aqui na Terra, do que nas dos céus. Mas mesmo assim… entre o aspergir do perfume e o ajeitar do laço, vale a pena tirar dois segundos para espreitar as estrelas.
Vá, vão lá ver, que é lindo!

A todos um Bom Ano Novo! ![]()
É já amanhã que Vénus e Júpiter vão estar no seu ponto de aproximação máxima.
Os planetas podem ser observados a oeste (o lado do poente) logo depois do pôr-do-sol.
Não é preciso esperar que escureça completamente, pois o seu brilho é suficientemente forte para os tornar visíveis, mesmo que ainda exista alguma luminosidade. Convém aliás fazer a observação o mais cedo possível, porque os planetas desaparecem abaixo do horizonte em pouco tempo.
Para além de Vénus e de Júpiter (por si só um forte motivo para ir espreitar o céu) esta conjunção vai ainda ter um outro atractivo: a Lua – muito fininha, acabada de sair da lunação – vai também passar junto aos dois planetas.

Esta observação ajuda a compreender a diferença entre latitude e longitude zodiacal.
Diz-se que Vénus e Júpiter estão conjuntos porque estão no mesmo grau do Zodíaco; têm portanto a mesma longitude zodiacal, neste caso 22º de Capricórnio. Em rigor, deveríamos dizer que a projecção zodiacal dos planetas está a 22º de Capricórnio, pois os planetas não estão necessariamente sobre a eclíptica (a zona central do Zodíaco).
Isto acontece porque a sua latitude zodiacal é diferente: Vénus está a 2º23’ Sul e Júpiter a 00º23’ Sul. Existe portanto uma distância de dois graus entre eles, no que diz respeito à latitude. É por isso que há uma certa distância entre os dois planetas, mesmo quando estão exactamente conjuntos: Vénus está um pouco “abaixo” de Júpiter (e ambos estão “abaixo” da eclíptica).
Só quando os planetas coincidem em longitude (grau do Zodíaco) e em latitude (“acima” ou “abaixo” da eclíptica) é que ficam perfeitamente alinhados. Neste caso, diz-se que ocorre uma ocultação: o planeta que está mais próximo da Terra (que neste caso seria Vénus) passa exactamente “na frente” do mais distante (Júpiter), e esconde-o da nossa vista.
Contudo, isso não vai ocorrer desta vez, pois Vénus está dois graus “abaixo” de Júpiter – e em Astronomia dois graus é uma distância relativamente grande, como poderão verificar os que observarem a conjunção.
Quanto à Lua, vai estar com a mesma longitude que os planetas (22º de Capricórnio, ou próximo disso), mas com uma latitude diferente (01º37’ Sul). Estará portanto “acima” de Vénus e “abaixo” de Júpiter. Só que neste caso teremos de ter em conta ainda outro factor, que é o tamanho da Lua em relação aos planetas. Por ser muito maior que estes, e por estar mais próxima da Terra, a Lua oculta-os sempre que passa nas proximidades, mesmo que a sua latitude e longitude não coincida exactamente com as dos planetas. Neste caso ocorrerá uma ocultação parcial de Vénus, mas só por algum tempo, pois a Lua desloca-se muito rapidamente.

Em Portugal esta configuração pode ser observada logo a partir das 17h45. Nessa altura, a Lua estará tão próxima de Vénus que quase a oculta. Para quem faz a observação no Brasil, a partir das 19h30 (hora local) o caso já é diferente, pois quando os planetas ficarem visíveis, a Lua já avançou o suficiente para “destapar” Vénus.
Mas já chega de conversas!
Vamos mas é ver a tripla conjunção de Vénus, Júpiter e a Lua, que é espectacular.
… Isto se as nuvens ajudarem, e não nos brindarem com uma indesejada “ocultação”! ![]()

Não conseguimos resistir: vamos voltar a falar de Vénus e Júpiter! Continuam bem visíveis ao fim da tarde, recordando-nos da beleza dos céus, mesmo nos dias mais atarefados.
Como por certo terão reparado os vêm observando os planetas ao longo destes dias, a distância entre os dois é cada vez menor.
No dia em que referimos estes planetas pela primeira vez, no post intitulado Beleza ao entardecer, no passado dia 13, Vénus estava a 01º19’ de Capricórnio e Júpiter a 18º55’ do mesmo signo. Hoje, 12 dias depois, já estão a 15º37 e 21º08 desse signo, respectivamente. Ou seja: no dia 13 distavam 17º36 minutos, hoje distam apenas 05º31’. Nestes 12 dias Vénus avançou 14º18’, enquanto Júpiter apenas se adiantou 02º13’.
Mas já chega de contas! ![]()
O mais importante é compreender a razão destes movimentos.
Esta aproximação ocorre porque Vénus (o mais luminoso dos dois planetas, situado do lado direito), é bastante mais rápida que Júpiter. Como ambos se movem da direita para a esquerda (para quem está virado para poente), podemos dizer que de momento ainda está posicionada “atrás” de Júpiter, mas tendo em conta a sua maior velocidade, sabemos que está prestes a “apanhá-lo”.
A distância entre os dois vai continuar a diminuir rapidamente até à conjunção, que ocorrerá no próximo dia 30, ou seja, daqui a cinco dias.
Voltaremos a falar deste tema no próprio dia da conjunção.
Até lá, estamos em countdown!
Cinco, quatro, três, dois, um… ![]()
Se estiver a ler este post, veja as horas. Sim, as horas! Estão no canto inferior direito do monitor. Se já forem 17h45, tem de levantar-se imediatamente e dirigir-se a uma janela virada a Oeste, para espreitar o céu!
A sério! É que está a perder uma das mais bonitas visões astronómicas dos últimos tempos: Júpiter e Vénus estão bem visíveis no céu da tarde, logo depois do por do Sol.
Para quem está no Brasil, vale a pena ficar atento a partir das 19h30, pois a partir daí já deve ser possível observar os planetas.
A estas horas, estes são os únicos astros visíveis, pois a luminosidade do Sol ainda não se esbateu o suficiente para deixar ver as estrelas. Portanto, não tem nada que enganar! ![]()
Esta é uma excelente ocasião para comparar o brilho e o tamanho aparente dos dois planetas. Vénus é o maior e mais brilhante dos dois; está mais “abaixo” e à “direita” (de quem está virado para o poente), e emite um forte brilho prateado. Júpiter é um pouco menor, está mais “alto” e à “esquerda” e tem um brilho mais suave. Ambos planetas estão no signo de Capricórnio, Vénus logo no início, a 01º19’ e Júpiter já a mais de meio, a 18º55’.
E agora, chega de conversas. Toca a levantar da cadeira e a ir olhar o céu. Garantimos que vale a pena!
![]()

PS: Quem não tiver janela do lado poente, nada está perdido: há outras coisas bonitas para observar no céu. Basta esperar mais um pouco (até cerca das 18h30 para Portugal, ou das 20h45 para o Brasil), e espreitar numa janela virada a nascente, e onde poderá observar o erguer da Lua. É também um espectáculo deslumbrante. ![]()
Amanhã e depois (sexta e sábado), poderemos observar no céu a Oeste uma magnífica conjunção Lua-Vénus em Sagitário.
A constelação será visível a partir das 18h00, quando a última luz do dia tiver quase desaparecido, e apenas durante 15/20 minutos, antes de desaparecer abaixo do horizonte. Isto se o tempo ajudar e se as nuvens não vierem estragar a festa…
Na sexta veremos Vénus a 16º e a Lua a 9º; nesse dia a Lua fará uma ocultação a Antares, também situada a 9º de Sagitário.
No sábado veremos Vénus já a 16º e a Lua a 21º desse signo, já muito afastada de Antares.
É uma boa ocasião para apreciar a velocidade de deslocação da Lua, em comparação com o movimento relativamente mais lento de Vénus.
Isto se as nuvens ajudarem… mantendo-se afastadas da conjunção ![]()

A questão surge volta e meia, quando se fala de observação astronómica.
Há sempre alguém que diz que Vénus é a estrela da manhã, e alguém que contradiz, afirmando que é a estrela da tarde.
E instala-se a dúvida: afinal Vénus é a estrela da manhã ou a estrela da tarde?
E a resposta é… (rufam os tambores
… )… as duas coisas, dependendo da situação!
Em certas alturas Vénus é a Estrela da Manhã, e noutras é a Estrela da Tarde.
Tudo depende da sua posição em relação ao Sol: quando está situada “antes” deste é a Estrela da Manhã, pois só pode ser vista de manhã, antes da alvorada; quando está situada “depois”, é a Estrela da Tarde, pois só é observável ao crepúsculo, depois do poente.
Hoje, por exemplo, temos o Sol no início de Escorpião e Vénus a meio de Sagitário. Quer isto dizer que se ergue depois do Sol, quando já é dia claro; fica portanto obliterada pelo brilho do astro-rei e só se torna visível ao anoitecer, depois do brilho solar já ter desaparecido; nesta fase, Vénus é portanto a Estrela da Tarde.
A situação mantém-se até ao próximo dia 7 de Março, altura em que Vénus, entra em retrogradação. Nessa data o planeta está a 15º de Carneiro, iniciando a sua aproximação ao Sol, que está a 17º de Peixes. A conjunção exacta (casimi) ocorre a 7º de Carneiro, no dia 27 desse mês. Segue-se a afastamento, que se estende até 16 de Abril, altura em que Vénus retoma o movimento directo. Nessa altura, Vénus já terá atravessado todo o signo de Carneiro, em movimento retrógrado, encontrando-se a 29º de Peixes; entretanto, o Sol terá avançado até aos 27º de Carneiro.
Temos portanto Vénus no signo anterior ao do Sol, na prática, isto quer dizer que se ergue antes do luminar e que por tanto, pode ser observada de manhã, antes que a luz da alvorada oblitere o seu brilho; nesta fase Vénus será Estrela da Manhã.
Por causa destas mudanças Vénus tem duas designações distintas: quando é Estrela da Manhã tem o nome de Vénus Lúcifer, a que traz a Luz; quando é Estrela da Tarde é designada Vénus Vesper ou Hesperos, a que anuncia o dia seguinte (literalmente: a véspera do novo dia).
E pronto, aqui fica a resposta à pergunta que nos é feita tantas vezes pelos estudantes: Vénus é Estrela da Manhã e também Estrela da Tarde – da Manhã quando está no signo “anterior” ao do Sol e se levanta antes deste, da Tarde quando está no signo “seguinte” ao do Sol e se põe depois deste.
Estas mudanças na condição do planeta têm, obviamente, significados relevantes na interpretação astrológica, mas isso já é tema de outro blog… este é de Astronomia para astrólogos, não de interpretação. ![]()
Na noite de quarta feira 17, se tivermos sorte, poderemos observar a Oeste, logo depois do por-do-Sol, um stellium, ou seja, a conjunção de três (ou mais) planetas.
Neste caso, os planetas são Mercúrio, Vénus e Marte, e estão posicionados em Balança.
Formam um pequeno triângulo, com Vénus ao centro, Marte mais abaixo e à “direita” e Mercúrio ainda mais abaixo, à “esquerda”. É uma configuração magnífica, mas bastante difícil de observar; é preciso esperar que a luz do Sol se desvaneça inteiramente, e por essa altura já o trio de planetas está prestes a desaparecer abaixo do horizonte.
Temos portanto de reunir três condições especiais:
- pontualidade: os planetas estão visíveis apenas durante um curto período, logo depois do por do Sol, aproximadamente entre as 20h00 e as 20h15 (só 15 minutinhos!); antes disso ainda estão ofuscados pela luminosidade; logo a seguir desaparecem no horizonte.
- localização estratégica: há que escolher um ponto de observação virado a Oeste, com um campo de visão desimpedido, sem obstáculos visuais como prédios altos, árvores, montanhas, estádios de futebol, a Grande Muralha da China, etc. ![]()
- sorte: precisamos de ter um céu limpo, sem barrão de nuvens no horizonte.
Temos portanto de escolher com antecedência um bom local de observação e estar lá à hora certa. É um esforço, mas pena. ![]()
O problema das nuvens é mais complicado, pois não depende de nós, é uma questão de sorte… Mas, como sabemos, a sorte anda sempre por perto dos que se dispõem a fazer o esforço. ![]()
Nota: esta tripla conjunção já está formada há vários dias e vai continuar durante mais algum tempo, mas tem sido muito difícil de observar, devido à proximidade do Sol. Escolhemos este dia porque oferece boas condições de observação: os planetas estão muito próximos entre si e bastante afastados do Sol. Quem não conseguir ver hoje, pode tentar nas próximas noites, por volta desta hora, pois o stellium ainda vai manter-se por alguns dias.
Desta vez não apresentamos uma imagem dos planetas, por absoluta falta de tempo (estamos de partida para Inglaterra, onde apresentaremos quatro palestras).
Hoje há Lua Cheia!
Sim, é verdade que há Lua Cheia todos os meses. Mas todas as luas cheias são diferentes, pois ocorrem em pontos diferentes do Zodíaco. E todas são bonitas. ![]()
A deste mês será a 22º54’ de Peixes (com o Sol no mesmo grau do signo oposto, a 22º54’ de Virgem). O momento exacto da oposição ocorre às 10h14 (06h14 no Brasil). Nessa altura a Lua está abaixo do horizonte; só será visível muito mais a Oeste, por exemplo em Lima, no Peru, Cidade do México ou Los Angeles.
Mas não faz mal. Podemos observar a Lua na noite anterior e na noite seguinte à lunação, e comparar as mudanças de localização e luminosidade.
Assim, na noite de domingo para segunda (anterior à lunação), pelas 22h00, teremos a Lua quase cheia, a 16º00’ de Peixes; na noite de segunda para terça (já depois da lunação), à mesma hora, a Lua estará já a 29º38’ de Peixes, já em fase minguante.
Como nesta área do Zodíaco só estrelas relativamente pequenas (e que, além disso, estão ofuscadas pelo brilho da Lua Cheia), não temos pontos de referência para avaliar a distância percorrida. Em todo o caso, sabemos que a Lua avançou 13º38’ em 24 horas, o que é um pouco acima da sua média diária, de 13º11’.
Quanto à luminosidade, a diferença é subtil mas ainda assim perceptível. Na primeira noite, a Lua estará crescente e quase cheia, faltando-lhe apenas uma pequena porção (em forma de crescente, do lado “esquerdo”) para formar o círculo perfeito; na noite seguinte já ultrapassou o círculo total, faltando-lhe agora uma pequena porção (um crescente do lado “direito”).
Agora é só sair para observar a Lua, nas duas noites indicadas, e descobrir as diferenças! ![]()
Amanhã, domingo, perto da meia-noite, poderemos ver a Lua próxima de Fomalhaut.

Fum-al-hut, a boca do peixe, é uma estrela de primeira grandeza, da natureza de Vénus e Mercúrio, situada a 3º51’ de Peixes. Vale a pena ficar a vê-la, mesmo sendo véspera de dia de trabalho.

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