Quem tiver possibilidades de observar o céu do lado do poente não deixe de ver na noite de fim de ano ao crepúsculo duas magníficas conjunções: Lua-Vénus, no final de Aquário, e Júpiter-Mercúrio, no final de Capricórnio.
Ficam visíveis no céu ocidental a partir das 17h30, logo depois do por do Sol; Vénus e a Lua estarão mais altas no céu, Júpiter e Mercúrio mais baixos, já muito perto do horizonte.
Se o céu estiver limpo, todos os planetas serão fáceis de observar, excepto Mercúrio, cujo brilho mais suave pode ser ofuscado pela luminosidade do Sol. Em todo o caso, basta detectar Júpiter para sabermos que Mercúrio estará lá por perto.

É um espectáculo a não perder, pois não é todas as noites que ocorrem estas configurações.
Sim, sabemos que calha na noite da Passagem de Ano, e que a essa hora estará toda a gente a preparar-se para a festa, mais interessados nas “conjunções” aqui na Terra, do que nas dos céus. Mas mesmo assim… entre o aspergir do perfume e o ajeitar do laço, vale a pena tirar dois segundos para espreitar as estrelas.
Vá, vão lá ver, que é lindo!

A todos um Bom Ano Novo! ![]()
É já amanhã que Vénus e Júpiter vão estar no seu ponto de aproximação máxima.
Os planetas podem ser observados a oeste (o lado do poente) logo depois do pôr-do-sol.
Não é preciso esperar que escureça completamente, pois o seu brilho é suficientemente forte para os tornar visíveis, mesmo que ainda exista alguma luminosidade. Convém aliás fazer a observação o mais cedo possível, porque os planetas desaparecem abaixo do horizonte em pouco tempo.
Para além de Vénus e de Júpiter (por si só um forte motivo para ir espreitar o céu) esta conjunção vai ainda ter um outro atractivo: a Lua – muito fininha, acabada de sair da lunação – vai também passar junto aos dois planetas.

Esta observação ajuda a compreender a diferença entre latitude e longitude zodiacal.
Diz-se que Vénus e Júpiter estão conjuntos porque estão no mesmo grau do Zodíaco; têm portanto a mesma longitude zodiacal, neste caso 22º de Capricórnio. Em rigor, deveríamos dizer que a projecção zodiacal dos planetas está a 22º de Capricórnio, pois os planetas não estão necessariamente sobre a eclíptica (a zona central do Zodíaco).
Isto acontece porque a sua latitude zodiacal é diferente: Vénus está a 2º23’ Sul e Júpiter a 00º23’ Sul. Existe portanto uma distância de dois graus entre eles, no que diz respeito à latitude. É por isso que há uma certa distância entre os dois planetas, mesmo quando estão exactamente conjuntos: Vénus está um pouco “abaixo” de Júpiter (e ambos estão “abaixo” da eclíptica).
Só quando os planetas coincidem em longitude (grau do Zodíaco) e em latitude (“acima” ou “abaixo” da eclíptica) é que ficam perfeitamente alinhados. Neste caso, diz-se que ocorre uma ocultação: o planeta que está mais próximo da Terra (que neste caso seria Vénus) passa exactamente “na frente” do mais distante (Júpiter), e esconde-o da nossa vista.
Contudo, isso não vai ocorrer desta vez, pois Vénus está dois graus “abaixo” de Júpiter – e em Astronomia dois graus é uma distância relativamente grande, como poderão verificar os que observarem a conjunção.
Quanto à Lua, vai estar com a mesma longitude que os planetas (22º de Capricórnio, ou próximo disso), mas com uma latitude diferente (01º37’ Sul). Estará portanto “acima” de Vénus e “abaixo” de Júpiter. Só que neste caso teremos de ter em conta ainda outro factor, que é o tamanho da Lua em relação aos planetas. Por ser muito maior que estes, e por estar mais próxima da Terra, a Lua oculta-os sempre que passa nas proximidades, mesmo que a sua latitude e longitude não coincida exactamente com as dos planetas. Neste caso ocorrerá uma ocultação parcial de Vénus, mas só por algum tempo, pois a Lua desloca-se muito rapidamente.

Em Portugal esta configuração pode ser observada logo a partir das 17h45. Nessa altura, a Lua estará tão próxima de Vénus que quase a oculta. Para quem faz a observação no Brasil, a partir das 19h30 (hora local) o caso já é diferente, pois quando os planetas ficarem visíveis, a Lua já avançou o suficiente para “destapar” Vénus.
Mas já chega de conversas!
Vamos mas é ver a tripla conjunção de Vénus, Júpiter e a Lua, que é espectacular.
… Isto se as nuvens ajudarem, e não nos brindarem com uma indesejada “ocultação”! ![]()

Não conseguimos resistir: vamos voltar a falar de Vénus e Júpiter! Continuam bem visíveis ao fim da tarde, recordando-nos da beleza dos céus, mesmo nos dias mais atarefados.
Como por certo terão reparado os vêm observando os planetas ao longo destes dias, a distância entre os dois é cada vez menor.
No dia em que referimos estes planetas pela primeira vez, no post intitulado Beleza ao entardecer, no passado dia 13, Vénus estava a 01º19’ de Capricórnio e Júpiter a 18º55’ do mesmo signo. Hoje, 12 dias depois, já estão a 15º37 e 21º08 desse signo, respectivamente. Ou seja: no dia 13 distavam 17º36 minutos, hoje distam apenas 05º31’. Nestes 12 dias Vénus avançou 14º18’, enquanto Júpiter apenas se adiantou 02º13’.
Mas já chega de contas! ![]()
O mais importante é compreender a razão destes movimentos.
Esta aproximação ocorre porque Vénus (o mais luminoso dos dois planetas, situado do lado direito), é bastante mais rápida que Júpiter. Como ambos se movem da direita para a esquerda (para quem está virado para poente), podemos dizer que de momento ainda está posicionada “atrás” de Júpiter, mas tendo em conta a sua maior velocidade, sabemos que está prestes a “apanhá-lo”.
A distância entre os dois vai continuar a diminuir rapidamente até à conjunção, que ocorrerá no próximo dia 30, ou seja, daqui a cinco dias.
Voltaremos a falar deste tema no próprio dia da conjunção.
Até lá, estamos em countdown!
Cinco, quatro, três, dois, um… ![]()
Se estiver a ler este post, veja as horas. Sim, as horas! Estão no canto inferior direito do monitor. Se já forem 17h45, tem de levantar-se imediatamente e dirigir-se a uma janela virada a Oeste, para espreitar o céu!
A sério! É que está a perder uma das mais bonitas visões astronómicas dos últimos tempos: Júpiter e Vénus estão bem visíveis no céu da tarde, logo depois do por do Sol.
Para quem está no Brasil, vale a pena ficar atento a partir das 19h30, pois a partir daí já deve ser possível observar os planetas.
A estas horas, estes são os únicos astros visíveis, pois a luminosidade do Sol ainda não se esbateu o suficiente para deixar ver as estrelas. Portanto, não tem nada que enganar! ![]()
Esta é uma excelente ocasião para comparar o brilho e o tamanho aparente dos dois planetas. Vénus é o maior e mais brilhante dos dois; está mais “abaixo” e à “direita” (de quem está virado para o poente), e emite um forte brilho prateado. Júpiter é um pouco menor, está mais “alto” e à “esquerda” e tem um brilho mais suave. Ambos planetas estão no signo de Capricórnio, Vénus logo no início, a 01º19’ e Júpiter já a mais de meio, a 18º55’.
E agora, chega de conversas. Toca a levantar da cadeira e a ir olhar o céu. Garantimos que vale a pena!
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PS: Quem não tiver janela do lado poente, nada está perdido: há outras coisas bonitas para observar no céu. Basta esperar mais um pouco (até cerca das 18h30 para Portugal, ou das 20h45 para o Brasil), e espreitar numa janela virada a nascente, e onde poderá observar o erguer da Lua. É também um espectáculo deslumbrante. ![]()
Amanhã e depois (sexta e sábado), poderemos observar no céu a Oeste uma magnífica conjunção Lua-Vénus em Sagitário.
A constelação será visível a partir das 18h00, quando a última luz do dia tiver quase desaparecido, e apenas durante 15/20 minutos, antes de desaparecer abaixo do horizonte. Isto se o tempo ajudar e se as nuvens não vierem estragar a festa…
Na sexta veremos Vénus a 16º e a Lua a 9º; nesse dia a Lua fará uma ocultação a Antares, também situada a 9º de Sagitário.
No sábado veremos Vénus já a 16º e a Lua a 21º desse signo, já muito afastada de Antares.
É uma boa ocasião para apreciar a velocidade de deslocação da Lua, em comparação com o movimento relativamente mais lento de Vénus.
Isto se as nuvens ajudarem… mantendo-se afastadas da conjunção ![]()
Hoje há Lua Cheia!
Sim, é verdade que há Lua Cheia todos os meses. Mas todas as luas cheias são diferentes, pois ocorrem em pontos diferentes do Zodíaco. E todas são bonitas. ![]()
A deste mês será a 22º54’ de Peixes (com o Sol no mesmo grau do signo oposto, a 22º54’ de Virgem). O momento exacto da oposição ocorre às 10h14 (06h14 no Brasil). Nessa altura a Lua está abaixo do horizonte; só será visível muito mais a Oeste, por exemplo em Lima, no Peru, Cidade do México ou Los Angeles.
Mas não faz mal. Podemos observar a Lua na noite anterior e na noite seguinte à lunação, e comparar as mudanças de localização e luminosidade.
Assim, na noite de domingo para segunda (anterior à lunação), pelas 22h00, teremos a Lua quase cheia, a 16º00’ de Peixes; na noite de segunda para terça (já depois da lunação), à mesma hora, a Lua estará já a 29º38’ de Peixes, já em fase minguante.
Como nesta área do Zodíaco só estrelas relativamente pequenas (e que, além disso, estão ofuscadas pelo brilho da Lua Cheia), não temos pontos de referência para avaliar a distância percorrida. Em todo o caso, sabemos que a Lua avançou 13º38’ em 24 horas, o que é um pouco acima da sua média diária, de 13º11’.
Quanto à luminosidade, a diferença é subtil mas ainda assim perceptível. Na primeira noite, a Lua estará crescente e quase cheia, faltando-lhe apenas uma pequena porção (em forma de crescente, do lado “esquerdo”) para formar o círculo perfeito; na noite seguinte já ultrapassou o círculo total, faltando-lhe agora uma pequena porção (um crescente do lado “direito”).
Agora é só sair para observar a Lua, nas duas noites indicadas, e descobrir as diferenças! ![]()
Amanhã, domingo, perto da meia-noite, poderemos ver a Lua próxima de Fomalhaut.

Fum-al-hut, a boca do peixe, é uma estrela de primeira grandeza, da natureza de Vénus e Mercúrio, situada a 3º51’ de Peixes. Vale a pena ficar a vê-la, mesmo sendo véspera de dia de trabalho.

Amanhã, sábado, teremos um eclipse lunar parcial.
Em Portugal o eclipse tem início às 19h35, pouco depois da Lua se levantar.
Nesse momento, a Lua toca a sombra da Terra e começa a sua ocultação que tem o seu máximo às 22h10 com a Lua cerca de 80% obscurecida. O eclipse termina às 23h44 quando a Lua sai totalmente da sombra.
No Brasil (Brasília) a Lua levanta-se já eclipsada, por volta das 18h00, e o eclipse terá o seu máximo logo às 18h10.

Neste eclipse a Lua passa pelo seu Nodo Norte, localizado a 18º de Aquário, e adquire Latitude Norte, passando a movimentar-se “acima” da eclíptica (para aqueles no Hemisfério Norte, ou abaixo, no Hemisfério Sul).

Durante o eclipse a Lua estará próxima das estrelas Nashira, Deneb al Gedi e Sadalsuud, das constelações do Capricórnio (as duas primeiras) e do Aquário.
Nashira (21º47’ de Aquário, da natureza de Saturno-Júpiter) e Deneb al Gedi (23º32’ de Aquário, da natureza de Saturno-Júpiter) são as duas estrelas logo abaixo da Lua. Sadalsuud (23º23’ de Aquário, da natureza de Saturno e Mercúrio) encontra-se directamente por cima da Lua, mas mais afastada.
Vamos ver se o tempo nos permite ver o eclipse, pois os boletins meteorológicos indicam chuva para Lisboa…
Amanhã, quarta-feira, a Lua estará novamente muito próxima a Júpiter, servindo de excelente referencial para a observação deste planeta.

Júpiter fica “acima” e “à direita” da Lua.

No Hemisfério Sul Júpiter estará à “direita” e ligeiramente “abaixo” do nosso satélite.
Amanhã, domingo, pelas 22 horas, veremos a Lua a formar uma conjunção próxima a Antares.

Esta estrela, também conhecida como o “coração do Escorpião”, está situada a 9º46’ desse signo.Vale a pena observá-la pelo seu brilho espectacular e pulsação forte.

Amanhã, sexta-feira, poderemos observar a Lua entre as pinças do Escorpião.
Do ponto de vista astrológico (isto é, no Zodíaco Tropical, dos signos), a Lua está a 16º de Escorpião, mas na perspectiva astronómica (Zodíaco Sideral, das constelações) está a meio da constelação de Libra (a balança) à qual pertencem as pinças do Escorpião (que são também os pratos da Balança - ver post anterior sobre este tema).

Para quem observa, os zubens parecem estar ambos “acima” e um pouco “à direita” da Lua; Zuben Elgenubi (a Pinça do Sul, situada a 15º05’ de Escorpião) mais perto, Zuben Elschemali (a pinça do Norte, a 19º22’) um pouco mais longe.

Para quem observa no Hemisfério Sul, as pinças ficam ambas “à direita” da Lua, Zuben Elbenubi mais próximo, ligeiramente “abaixo” e Zuben Elschemali um pouco mais distante, à mesma “altura” que a Lua.
Também nesta noite, a Lua faz a quadratura exacta ao Sol às 21h20; é portanto uma excelente ocasião para ver o Quarto Crescente, ou seja, uma “meia-lua” perfeita: a Lua estará iluminada apenas na sua metade “direita” (no Quarto Minguante está iluminada apenas na metade “esquerda”).
Agora que a Lua volta a estar visível às primeiras horas da noite, voltamos às nossas observações astronómicas. Mais uma vez, a Lua vai servir-nos de “ponteiro” para indicar a localização dos planetas e das estrelas.
Já próxima quarta-feira, dia 6, pelas 22 horas, a Lua volta a estar próxima de Spica, uma estrela de 1ª grandeza. É aquela estrela brilhante, um pouco “acima” e “à esquerda” da Lua. Para quem observa no Hemisfério Sul, é a estrela “à direita” da Lua.
Esta observação, muito semelhante à que fizemos no mês passado, permite-nos avaliar a duração de um mês lunar e experienciar de forma prática os ciclos da Lua. Com efeito, já passaram 27 dias e meio desde a última vez que a Lua esteve conjunta a Spica (por alturas das conjunção Saturno-Marte).

Esta noite é ainda possível observar Arcturus (24º15’ de Balança), outra estrela de 1ª grandeza, situada também “acima” e à “esquerda” da Lua, mas a uma distância maior; no Hemisfério Sul, fica “à direita” e quase à mesma “altura” da Lua, mas mais afastada que Spica (por causa deste afastamento, não está representada na imagem).
Voltando a Spica verificamos que está a 23º51’ do signo de Balança, mas na constelação de Virgem.

Aliás, o nome desta estrela significa “espiga”, em referência à espiga de trigo que a Virgem segura nas mãos. No Médio Oriente, este grupo de estrelas era antigamente associado à deusa Ashera, da fertilidade e das colheitas. Alguns povos chamavam-na “a que vem do mar”, e nos Zodíacos antigos é por vezes representada como uma sereia segurando uma espiga.
Para além de toda a mitologia associada, Spica é uma das estrelas mais brilhantes e bonitas do céu de Verão. Vale a pena sair para um local pouco iluminado, só para admirá-la. Pode ser facilmente observada, mesmo numa grande cidade.
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