No próximo dia 1 de Agosto, sexta-feira, haverá um eclipse solar total… que apenas será visível nos países situados muito a Norte.
Poderá ser observado no Canadá, Pólo Norte, península da Escandinávia, Sibéria, Norte do Irão, parte da Mongólia, Norte da Índia, Norte do Paquistão e China.
Quanto a nós, Portugal e Brasil… não o veremos, nem por sombras ![]()
Para a interpretação deste evento, na perspectiva da Astrologia Mundana, sugerimos o artigo O Eclipse Olímpico, publicado no nosso site (ver aqui).
Amanhã e depois, dias 16 e 17, a partir das 22h30, poderemos observar a Lua quase cheia conjunta a Júpiter.
O brilho prateado de Júpiter não é ofuscado pela Lua, embora esta se encontre já na fase de máxima luminosidade.

Além disso, existe uma diferença de latitude superior a 3º, o que já é bastante perceptível; a Lua está a 3º22’ Sul e Júpiter apenas a 00º13’ Sul, em relação à eclíptica.
Quanto às longitudes (ou seja, a projecção na eclíptica), a situação é diferente.
No dia 16, às 22h30 (19h30 para o Brasil) a Lua está a 8º35 e Júpiter a 16º30’ do signo de Capricórnio; a conjunção é portanto aplicativa: a Lua, rápida, dirige-se a Júpiter, mais lento.
No dia 17 à mesma hora já a Lua avançou 12º e 8’, encontrando-se agora a 20º43’ de Capricórnio; entretanto Júpiter (que está retrógrado) recuou 8’, encontrando-se agora a 16º22’ graus do mesmo signo; a conjunção é agora separativa.
Recordamos que a Lua e Júpiter estão no signo de Capricórnio (perspectiva astrológica) mas na constelação do Sagitário (perspectiva astronómica).

Na prática, veremos a Lua a passar “abaixo” de Júpiter; amanhã estará “abaixo” e “à esquerda”; no dia seguinte, “abaixo” e “à direita” do planeta.
No Brasil, a configuração pode ser observada numa perspectiva quase invertida; a Lua estará “acima” e “à direita” de Júpiter no primeiro dia, passando para “abaixo” e “à direita” do planeta, no segundo.
Numa outra perspectiva, esta passagem da Lua oferece-nos uma boa oportunidade para localizar a constelação de Sagitário, uma das mais graciosas do Zodíaco.

A constelação de Sagitário tem sete estrelas principais, e várias estrelas menores (que não serão facilmente visíveis, devido à proximidade da Lua Cheia). As estrelas maiores representam o arco e a seta do arqueiro (Sagitário significa literalmente “o arqueiro” ou “o lançador de setas”; sagitta é o termo latino para seta).

Amanhã, pelas 22 e 30, a Lua, agora quase cheia, estará mesmo “no meio” desta constelação, e na quinta-feira, à mesma hora, terá já avançado para a zona de passagem entre as constelações de Sagitário e Capricórnio.
Hoje e amanhã, dias 13 e 14, pelas 22 horas, vamos ter oportunidade de ver a Lua muito próxima da estrela Antares, o coração do Escorpião.
Apesar da Lua estar já quase cheia, o que ofuscará um pouco o brilho da estrela, Antares é bem visível, mesmo em condições luminosas difíceis, como numa grande cidade.
A proximidade da Lua ajudará a identificar esta estrela, uma das mais brilhantes do céu de Verão.
No dia 13 a Lua estará “à direita” de Antares, e no dia 14 já terá ultrapassado a estrela, encontrando-se à sua “esquerda”.

Com referenciais celestes:

Em termos zodiacais, Antares encontra-se a 09º47’ do signo de Sagitário; é uma estrela de primeira magnitude e tem a natureza de Marte e Júpiter combinados. Está associada a força e coragem, mas também a fortes paixões e alguma agressividade.
O seu nome deriva de um termo Grego que significa “a rival de Ares” (Marte); esta designação deve-se ao seu brilho avermelhado, muito semelhante em cor ao do planeta Marte.
Em árabe denomina-se “al qalb[u] al acrav, literalmente “o coração do escorpião”, designação que advém da sua posição no centro da constelação, e também da sua cor e pulsação.
No hemisfério Sul a constelação pode ser vista a partir das 19h a Este e durante toda a noite estará bem alto no céu, muito próximo do zénite.
Hoje a Lua vai passar entre as duas estrelas que formam as “garras” do Escorpião.
Se a observarmos pelas 22h30 veremos que o crescente lunar está em pouco “abaixo” de duas estrelas de terceira magnitude, facilmente identificáveis.

Os seus nomes são Zuben Elgenubi e Zuben Eschemali, que em árabe significam a Pinça do Sul (do Escorpião) e a Pinça do Norte (do Escorpião), respectivamente.
Apesar desta ligação à constelação de Escorpião, estas estrelas correspondem aos dois pratos de Libra, a Balança.
Esta “mistura” entre as constelações deve-se às diferentes formas de agrupar as estrelas adoptadas pelos Árabes e pelos Gregos, e não tem quaisquer implicações na interpretação astrológica.
Recordamos de novo que na Astrologia Ocidental as constelações e os signos são diferentes; as primeiras pertencem ao Zodíaco Sideral, e as segundas ao Zodíaco Tropical; entre ambos existe actualmente um desfasamento de cerca de 24º, denominado Ayanamsa, que tem origem na Precessão dos Equinócios.

Em termos astrológicos, Zuben Elgenubi (a pinça ou prato Sul) tem uma natureza semelhante à de Saturno e Marte combinados, não sendo portanto muito simpática nos seus efeitos; a sua projecção na eclíptica corresponde a 15º46’ do signo de Escorpião.
Zuben Elschemali (a pinça ou prato Norte) tem a natureza de Júpiter e Mercúrio, o que indica efeitos mais agradáveis; corresponde a 20º04’ do signo de Escorpião.
Amanhã, quinta-feira, pelas 19h11 dá-se a conjunção exacta de Marte e Saturno, a 5º26’ de Virgem.
A interpretação astrológica desta conjunção já foi abordada no blog Primum Mobile (ver), pelo que não nos debruçaremos sobre o tema; aqui falaremos sobre a observação directa destes dois planetas.
Os 5º do signo de Virgem correspondem no Zodíaco sideral ao “centro” da constelação de Leão; recordamos que ocorre relativamente perto da estrela Regulus, a que os Árabes chamavam “al-qalb[u] al-’asad” (o coração do Leão).
No momento exacto da conjunção (19h11 em Portugal) os planetas ainda não estão visíveis, pois o Sol está acima do horizonte; só a partir das 22 horas, quando a luz do dia tiver desaparecido, é que poderemos avistá-la.

Na prática, este intervalo de três horas não faz grande diferença, pois Marte e Saturno não se afastam muito. Em rigor, Marte avançará apenas quatro minutos de grau e Saturno apenas um; esse ligeiro desfasamento das longitudes quase não é perceptível a olho nu.
Mesmo assim, os planetas vão parecer ligeiramente “desalinhados”. Isto deve-se à diferença de latitudes, que neste caso é de cerca de meio grau. Marte está actualmente com latitude 1º02’ N e Saturno com 1º41’ N.

Esta conjunção tão próxima permite-nos também apreciar a diferença de “cor” dos planetas. Marte tem um brilho avermelhado, a que os Antigos chamavam “cor de ferrugem”, e Saturno tem um brilho amarelado. As “cores” dos planetas serão em breve tema de um post.
No Hemisfério Sul a configuração terá este aspecto (latitude do Rio de Janeiro):

A inclinação do Equador Celeste e do Zodíaco será, obviamente, muito diferente da de Lisboa:

E já que estamos em maré de observações, vale a pena ver também a Lua, que estará a 26º40’ do signo de Balança (às 22h), muito próxima de Spica, uma estrela de primeira grandeza, de brilho branco-azulado, situada a 23º57’ do signo de Balança. (Note-se que no Zodíaco Sideral, ambas estão posicionadas na constelação de Virgem).
Na prática, Spica é fácil de localizar: é aquela estrela brilhante um pouco “acima” e “à direita” da Lua. (No Brasil a situação inverte-se: fica “abaixo” e “à esquerda” da Lua.)

Esta observação combinada permite-nos compreender a verdadeira distância entre os 5º de Virgem, onde ocorre a conjunção Marte-Saturno, e os 23º de Balança, onde se encontra Spica.
É na verdade uma distância enorme, bem diferente da representação em papel, que estamos habituados a ver nos mapas astrológicos.

Desejamos a todos excelentes condições de observação, isto é, um céu limpo, sem nuvens e sem “poluição” luminosa. Boa observação!
Esta noite, cerca das 22 horas (19h no Brasil), podemos observar a Lua muito próxima da estrela Algorab.
Algorab, que em árabe significa “o corvo”, é uma estrela de 3ª grandeza (não muito brilhante, portanto) situada na asa direita do Corvo.
Para quem a observa em Portugal, Algorab fica “abaixo” da Lua, um pouco “à direita”.

Em termos astrológicos, tem uma natureza semelhante a Marte e Saturno conjuntos, não sendo portanto das mais simpáticas. Fica situada a meio do signo da Balança, perto dos 13º.
Embora o Corvo seja exterior ao Zodíaco, as suas estrelas são “projectadas” na eclíptica; esta projecção é perpendicular à eclíptica (ver figura).
Neste caso, a Lua já “avançou” um pouco em relação à estrela.

Quem está no Brasil (ou Hemisfério Sul em geral), verá a estrela à “esquerda” e um pouco “acima” da Lua:

Esta estrela é portanto um bom marcador para encontrar o ponto médio do signo de Balança nos céus.
Quem olhar para o céu a oeste (o lado do poente) pelas 22 horas de hoje poderá ver uma magnífica configuração.
A Lua está muito próxima dos planetas Saturno e Marte, e ainda da estrela Regulus, uma das mais brilhantes do céu.

Veremos portanto um crescente em forma de “D” e logo por cima três “estrelas” em alinhamento quase perfeito. As duas “estrelas” mais próximas da Lua são na verdade planetas: Saturno, o mais elevado, tem um brilho branco-amarelado, e Marte, no centro, apresenta um tom branco-avermelhado; só o terceiro elemento do conjunto é de facto uma estrela, Regulus, o coração do Leão.
Para além de nos proporcionar um espectáculo lindíssimo, esta configuração oferece-nos ainda a oportunidade de compreender vários aspectos técnicos importantes.
Por um lado, permite-nos perceber a diferença entre o brilho dos planetas, que é fixo, e o das estrelas, que é cintilante (isto se a “poluição luminosa” ou as nuvens não interferirem…).
Por outro lado, ajuda-nos a entender a diferença entre Zodíaco Sideral e Zodíaco Tropical: por observação directa, vemos que a Lua e os planetas estão próximos de Regulus, que é o “coração do Leão”, pelo que concluímos que estão posicionados no signo de Leão (Zodíaco Sideral); contudo, o mapa astrológico do momento revela-nos que todos os corpos celestes envolvidos, excepto Regulus, estão no início do signo de Virgem (Zodíaco Tropical); esta diferença entre os dois zodíacos, designada Ayanamsa, é actualmente de cerca de 24º.
A observação directa permite-nos ainda avaliar as distâncias reais a que correspondem os graus astrológicos. Assim, Regulus está a no último grau de Leão e Marte a 3 graus e 6 minutos de Virgem; distam portanto pouco mais de 3º. De Marte a Saturno vão apenas dois graus, pois Saturno está a 5º e 3 minutos de Virgem (em rigor, distam 1º e 57’ um do outro); por fim a Lua está a 5 graus e 30 minutos de Virgem, ou seja, no mesmo grau de Saturno, distando deste apenas 27 minutos.
Isto leva-nos a uma outra questão: se estão assim tão perto, porque parecem “desalinhados”? Porque não se sobrepõem? O “desalinhamento” ocorre por causa da diferença de latitude do planeta: neste caso, Saturno está com latitude de 1 grau e 41 minutos Norte e a Lua com latitude de 1 grau e 30 minutos Sul. As indicações de Norte e Sul têm como referencial a eclíptica, ou seja, a linha média traçada pelo percurso aparente do Sol à volta da Terra, que define a linha central do Zodíaco. Os planetas podem estar posicionados “acima” desta linha imaginária, ficando então com latitude Norte, ou “abaixo” dela, com latitude Sul (os termos invertem-se para o hemisfério Sul, mas o raciocínio mantém-se). É por esta razão que os planetas nem sempre se sobrepõem; isso só acontece quando estão ambos com a mesma latitude (seja esta Norte ou Sul), para além de estarem com a mesma longitude (o mesmo grau zodiacal). Quando tal ocorre, diz-se que estão em ocultação.

No caso presente, vemos que a Lua está com latitude Sul, pois acabou de passar pelo seu Nodo Sul (actualmente a 20º 24’ de Leão). Os nodos são aliás os pontos onde a órbita da Lua cruza a eclíptica (ou seja o “centro” do Zodíaco); quando a Lua transita pelo Nodo Sul, adquire latitude Sul ficando “abaixo” da eclíptica; quando passa pelo Nodo Norte, ganha, obviamente, latitude Norte e fica “acima” da eclíptica. Estas passagens ocorrem todos os meses.
Tanta coisa que se pode deduzir de uma configuração planetária… mas que isto não nos faça esquecer a simples beleza do céu nocturno.
Um blog para os estudantes de Astrologia que gostam de compreender o que observam nos céus!
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