Archives for: July 2008

O eclipse que não vamos ver

28-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Fenómenos

No próximo dia 1 de Agosto, sexta-feira, haverá um eclipse solar total… que apenas será visível nos países situados muito a Norte.
Poderá ser observado no Canadá, Pólo Norte, península da Escandinávia, Sibéria, Norte do Irão, parte da Mongólia, Norte da Índia, Norte do Paquistão e China.

Quanto a nós, Portugal e Brasil… não o veremos, nem por sombras ;)
Para a interpretação deste evento, na perspectiva da Astrologia Mundana, sugerimos o artigo O Eclipse Olímpico, publicado no nosso site (ver aqui).

Lua conjunta a Júpiter

15-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Constelações, Planetas e Estrelas

Amanhã e depois, dias 16 e 17, a partir das 22h30, poderemos observar a Lua quase cheia conjunta a Júpiter.
O brilho prateado de Júpiter não é ofuscado pela Lua, embora esta se encontre já na fase de máxima luminosidade.

Lua conjunta a Júpiter

Além disso, existe uma diferença de latitude superior a 3º, o que já é bastante perceptível; a Lua está a 3º22’ Sul e Júpiter apenas a 00º13’ Sul, em relação à eclíptica.
Quanto às longitudes (ou seja, a projecção na eclíptica), a situação é diferente.
No dia 16, às 22h30 (19h30 para o Brasil) a Lua está a 8º35 e Júpiter a 16º30’ do signo de Capricórnio; a conjunção é portanto aplicativa: a Lua, rápida, dirige-se a Júpiter, mais lento.
No dia 17 à mesma hora já a Lua avançou 12º e 8’, encontrando-se agora a 20º43’ de Capricórnio; entretanto Júpiter (que está retrógrado) recuou 8’, encontrando-se agora a 16º22’ graus do mesmo signo; a conjunção é agora separativa.
Recordamos que a Lua e Júpiter estão no signo de Capricórnio (perspectiva astrológica) mas na constelação do Sagitário (perspectiva astronómica).

Lua conjunta a Júpiter

Na prática, veremos a Lua a passar “abaixo” de Júpiter; amanhã estará “abaixo” e “à esquerda”; no dia seguinte, “abaixo” e “à direita” do planeta.
No Brasil, a configuração pode ser observada numa perspectiva quase invertida; a Lua estará “acima” e “à direita” de Júpiter no primeiro dia, passando para “abaixo” e “à direita” do planeta, no segundo.

Numa outra perspectiva, esta passagem da Lua oferece-nos uma boa oportunidade para localizar a constelação de Sagitário, uma das mais graciosas do Zodíaco.

Constelação de Sagitário

A constelação de Sagitário tem sete estrelas principais, e várias estrelas menores (que não serão facilmente visíveis, devido à proximidade da Lua Cheia). As estrelas maiores representam o arco e a seta do arqueiro (Sagitário significa literalmente “o arqueiro” ou “o lançador de setas”; sagitta é o termo latino para seta).

Constelação de Sagitário

Amanhã, pelas 22 e 30, a Lua, agora quase cheia, estará mesmo “no meio” desta constelação, e na quinta-feira, à mesma hora, terá já avançado para a zona de passagem entre as constelações de Sagitário e Capricórnio.

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Lua conjunta a Antares

13-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Constelações, Planetas e Estrelas

Hoje e amanhã, dias 13 e 14, pelas 22 horas, vamos ter oportunidade de ver a Lua muito próxima da estrela Antares, o coração do Escorpião.
Apesar da Lua estar já quase cheia, o que ofuscará um pouco o brilho da estrela, Antares é bem visível, mesmo em condições luminosas difíceis, como numa grande cidade.
A proximidade da Lua ajudará a identificar esta estrela, uma das mais brilhantes do céu de Verão.
No dia 13 a Lua estará “à direita” de Antares, e no dia 14 já terá ultrapassado a estrela, encontrando-se à sua “esquerda”.

Lua perto de Antares

Com referenciais celestes:

Lua perto de Antares

Em termos zodiacais, Antares encontra-se a 09º47’ do signo de Sagitário; é uma estrela de primeira magnitude e tem a natureza de Marte e Júpiter combinados. Está associada a força e coragem, mas também a fortes paixões e alguma agressividade.

O seu nome deriva de um termo Grego que significa “a rival de Ares” (Marte); esta designação deve-se ao seu brilho avermelhado, muito semelhante em cor ao do planeta Marte.
Em árabe denomina-se “al qalb[u] al acrav, literalmente “o coração do escorpião”, designação que advém da sua posição no centro da constelação, e também da sua cor e pulsação.

No hemisfério Sul a constelação pode ser vista a partir das 19h a Este e durante toda a noite estará bem alto no céu, muito próximo do zénite.

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Lua “nas garras” do Escorpião

12-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Constelações, Planetas e Estrelas

Hoje a Lua vai passar entre as duas estrelas que formam as “garras” do Escorpião.
Se a observarmos pelas 22h30 veremos que o crescente lunar está em pouco “abaixo” de duas estrelas de terceira magnitude, facilmente identificáveis.

Conjunção Marte-Saturno

Os seus nomes são Zuben Elgenubi e Zuben Eschemali, que em árabe significam a Pinça do Sul (do Escorpião) e a Pinça do Norte (do Escorpião), respectivamente.
Apesar desta ligação à constelação de Escorpião, estas estrelas correspondem aos dois pratos de Libra, a Balança.
Esta “mistura” entre as constelações deve-se às diferentes formas de agrupar as estrelas adoptadas pelos Árabes e pelos Gregos, e não tem quaisquer implicações na interpretação astrológica.

Recordamos de novo que na Astrologia Ocidental as constelações e os signos são diferentes; as primeiras pertencem ao Zodíaco Sideral, e as segundas ao Zodíaco Tropical; entre ambos existe actualmente um desfasamento de cerca de 24º, denominado Ayanamsa, que tem origem na Precessão dos Equinócios.

Conjunção Marte-Saturno

Em termos astrológicos, Zuben Elgenubi (a pinça ou prato Sul) tem uma natureza semelhante à de Saturno e Marte combinados, não sendo portanto muito simpática nos seus efeitos; a sua projecção na eclíptica corresponde a 15º46’ do signo de Escorpião.
Zuben Elschemali (a pinça ou prato Norte) tem a natureza de Júpiter e Mercúrio, o que indica efeitos mais agradáveis; corresponde a 20º04’ do signo de Escorpião.

A conjunção Marte-Saturno

09-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Planetas e Estrelas

Amanhã, quinta-feira, pelas 19h11 dá-se a conjunção exacta de Marte e Saturno, a 5º26’ de Virgem.
A interpretação astrológica desta conjunção já foi abordada no blog Primum Mobile (ver), pelo que não nos debruçaremos sobre o tema; aqui falaremos sobre a observação directa destes dois planetas.

Os 5º do signo de Virgem correspondem no Zodíaco sideral ao “centro” da constelação de Leão; recordamos que ocorre relativamente perto da estrela Regulus, a que os Árabes chamavam “al-qalb[u] al-’asad” (o coração do Leão).

No momento exacto da conjunção (19h11 em Portugal) os planetas ainda não estão visíveis, pois o Sol está acima do horizonte; só a partir das 22 horas, quando a luz do dia tiver desaparecido, é que poderemos avistá-la.

Conjunção Marte-Saturno

Na prática, este intervalo de três horas não faz grande diferença, pois Marte e Saturno não se afastam muito. Em rigor, Marte avançará apenas quatro minutos de grau e Saturno apenas um; esse ligeiro desfasamento das longitudes quase não é perceptível a olho nu.
Mesmo assim, os planetas vão parecer ligeiramente “desalinhados”. Isto deve-se à diferença de latitudes, que neste caso é de cerca de meio grau. Marte está actualmente com latitude 1º02’ N e Saturno com 1º41’ N.

Conjunção Marte-Saturno

Esta conjunção tão próxima permite-nos também apreciar a diferença de “cor” dos planetas. Marte tem um brilho avermelhado, a que os Antigos chamavam “cor de ferrugem”, e Saturno tem um brilho amarelado. As “cores” dos planetas serão em breve tema de um post.

No Hemisfério Sul a configuração terá este aspecto (latitude do Rio de Janeiro):

Conjunção Marte-Saturno

A inclinação do Equador Celeste e do Zodíaco será, obviamente, muito diferente da de Lisboa:

Conjunção Marte-Saturno

E já que estamos em maré de observações, vale a pena ver também a Lua, que estará a 26º40’ do signo de Balança (às 22h), muito próxima de Spica, uma estrela de primeira grandeza, de brilho branco-azulado, situada a 23º57’ do signo de Balança. (Note-se que no Zodíaco Sideral, ambas estão posicionadas na constelação de Virgem).
Na prática, Spica é fácil de localizar: é aquela estrela brilhante um pouco “acima” e “à direita” da Lua. (No Brasil a situação inverte-se: fica “abaixo” e “à esquerda” da Lua.)

Conjunção Lua-Spica

Esta observação combinada permite-nos compreender a verdadeira distância entre os 5º de Virgem, onde ocorre a conjunção Marte-Saturno, e os 23º de Balança, onde se encontra Spica.
É na verdade uma distância enorme, bem diferente da representação em papel, que estamos habituados a ver nos mapas astrológicos.

Conjunção Lua-Spica

Desejamos a todos excelentes condições de observação, isto é, um céu limpo, sem nuvens e sem “poluição” luminosa. Boa observação!

Lua perto de Algorab

09-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Planetas e Estrelas

Esta noite, cerca das 22 horas (19h no Brasil), podemos observar a Lua muito próxima da estrela Algorab.
Algorab, que em árabe significa “o corvo”, é uma estrela de 3ª grandeza (não muito brilhante, portanto) situada na asa direita do Corvo.
Para quem a observa em Portugal, Algorab fica “abaixo” da Lua, um pouco “à direita”.

Conjunção Lua-Algorab

Em termos astrológicos, tem uma natureza semelhante a Marte e Saturno conjuntos, não sendo portanto das mais simpáticas. Fica situada a meio do signo da Balança, perto dos 13º.
Embora o Corvo seja exterior ao Zodíaco, as suas estrelas são “projectadas” na eclíptica; esta projecção é perpendicular à eclíptica (ver figura).
Neste caso, a Lua já “avançou” um pouco em relação à estrela.

Conjunção Lua-Algorab

Quem está no Brasil (ou Hemisfério Sul em geral), verá a estrela à “esquerda” e um pouco “acima” da Lua:

Conjunção Lua-Algorab

Esta estrela é portanto um bom marcador para encontrar o ponto médio do signo de Balança nos céus.

Lua, Marte, Saturno e Regulus

06-07-08 | by Helena & Luís [mail] | Categories: Planetas e Estrelas

Quem olhar para o céu a oeste (o lado do poente) pelas 22 horas de hoje poderá ver uma magnífica configuração.
A Lua está muito próxima dos planetas Saturno e Marte, e ainda da estrela Regulus, uma das mais brilhantes do céu.

Conjunção Lua-Marte-Saturno

Veremos portanto um crescente em forma de “D” e logo por cima três “estrelas” em alinhamento quase perfeito. As duas “estrelas” mais próximas da Lua são na verdade planetas: Saturno, o mais elevado, tem um brilho branco-amarelado, e Marte, no centro, apresenta um tom branco-avermelhado; só o terceiro elemento do conjunto é de facto uma estrela, Regulus, o coração do Leão.

Para além de nos proporcionar um espectáculo lindíssimo, esta configuração oferece-nos ainda a oportunidade de compreender vários aspectos técnicos importantes.

Por um lado, permite-nos perceber a diferença entre o brilho dos planetas, que é fixo, e o das estrelas, que é cintilante (isto se a “poluição luminosa” ou as nuvens não interferirem…).
Por outro lado, ajuda-nos a entender a diferença entre Zodíaco Sideral e Zodíaco Tropical: por observação directa, vemos que a Lua e os planetas estão próximos de Regulus, que é o “coração do Leão”, pelo que concluímos que estão posicionados no signo de Leão (Zodíaco Sideral); contudo, o mapa astrológico do momento revela-nos que todos os corpos celestes envolvidos, excepto Regulus, estão no início do signo de Virgem (Zodíaco Tropical); esta diferença entre os dois zodíacos, designada Ayanamsa, é actualmente de cerca de 24º.
A observação directa permite-nos ainda avaliar as distâncias reais a que correspondem os graus astrológicos. Assim, Regulus está a no último grau de Leão e Marte a 3 graus e 6 minutos de Virgem; distam portanto pouco mais de 3º. De Marte a Saturno vão apenas dois graus, pois Saturno está a 5º e 3 minutos de Virgem (em rigor, distam 1º e 57’ um do outro); por fim a Lua está a 5 graus e 30 minutos de Virgem, ou seja, no mesmo grau de Saturno, distando deste apenas 27 minutos.

Isto leva-nos a uma outra questão: se estão assim tão perto, porque parecem “desalinhados”? Porque não se sobrepõem? O “desalinhamento” ocorre por causa da diferença de latitude do planeta: neste caso, Saturno está com latitude de 1 grau e 41 minutos Norte e a Lua com latitude de 1 grau e 30 minutos Sul. As indicações de Norte e Sul têm como referencial a eclíptica, ou seja, a linha média traçada pelo percurso aparente do Sol à volta da Terra, que define a linha central do Zodíaco. Os planetas podem estar posicionados “acima” desta linha imaginária, ficando então com latitude Norte, ou “abaixo” dela, com latitude Sul (os termos invertem-se para o hemisfério Sul, mas o raciocínio mantém-se). É por esta razão que os planetas nem sempre se sobrepõem; isso só acontece quando estão ambos com a mesma latitude (seja esta Norte ou Sul), para além de estarem com a mesma longitude (o mesmo grau zodiacal). Quando tal ocorre, diz-se que estão em ocultação.

Conjunção Lua-Marte-Saturno

No caso presente, vemos que a Lua está com latitude Sul, pois acabou de passar pelo seu Nodo Sul (actualmente a 20º 24’ de Leão). Os nodos são aliás os pontos onde a órbita da Lua cruza a eclíptica (ou seja o “centro” do Zodíaco); quando a Lua transita pelo Nodo Sul, adquire latitude Sul ficando “abaixo” da eclíptica; quando passa pelo Nodo Norte, ganha, obviamente, latitude Norte e fica “acima” da eclíptica. Estas passagens ocorrem todos os meses.

Tanta coisa que se pode deduzir de uma configuração planetária… mas que isto não nos faça esquecer a simples beleza do céu nocturno.

Astrologia Viva

Um blog para os estudantes de Astrologia que gostam de compreender o que observam nos céus!

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