É já amanhã que Vénus e Júpiter vão estar no seu ponto de aproximação máxima.
Os planetas podem ser observados a oeste (o lado do poente) logo depois do pôr-do-sol.
Não é preciso esperar que escureça completamente, pois o seu brilho é suficientemente forte para os tornar visíveis, mesmo que ainda exista alguma luminosidade. Convém aliás fazer a observação o mais cedo possível, porque os planetas desaparecem abaixo do horizonte em pouco tempo.
Para além de Vénus e de Júpiter (por si só um forte motivo para ir espreitar o céu) esta conjunção vai ainda ter um outro atractivo: a Lua – muito fininha, acabada de sair da lunação – vai também passar junto aos dois planetas.

Esta observação ajuda a compreender a diferença entre latitude e longitude zodiacal.
Diz-se que Vénus e Júpiter estão conjuntos porque estão no mesmo grau do Zodíaco; têm portanto a mesma longitude zodiacal, neste caso 22º de Capricórnio. Em rigor, deveríamos dizer que a projecção zodiacal dos planetas está a 22º de Capricórnio, pois os planetas não estão necessariamente sobre a eclíptica (a zona central do Zodíaco).
Isto acontece porque a sua latitude zodiacal é diferente: Vénus está a 2º23’ Sul e Júpiter a 00º23’ Sul. Existe portanto uma distância de dois graus entre eles, no que diz respeito à latitude. É por isso que há uma certa distância entre os dois planetas, mesmo quando estão exactamente conjuntos: Vénus está um pouco “abaixo” de Júpiter (e ambos estão “abaixo” da eclíptica).
Só quando os planetas coincidem em longitude (grau do Zodíaco) e em latitude (“acima” ou “abaixo” da eclíptica) é que ficam perfeitamente alinhados. Neste caso, diz-se que ocorre uma ocultação: o planeta que está mais próximo da Terra (que neste caso seria Vénus) passa exactamente “na frente” do mais distante (Júpiter), e esconde-o da nossa vista.
Contudo, isso não vai ocorrer desta vez, pois Vénus está dois graus “abaixo” de Júpiter – e em Astronomia dois graus é uma distância relativamente grande, como poderão verificar os que observarem a conjunção.
Quanto à Lua, vai estar com a mesma longitude que os planetas (22º de Capricórnio, ou próximo disso), mas com uma latitude diferente (01º37’ Sul). Estará portanto “acima” de Vénus e “abaixo” de Júpiter. Só que neste caso teremos de ter em conta ainda outro factor, que é o tamanho da Lua em relação aos planetas. Por ser muito maior que estes, e por estar mais próxima da Terra, a Lua oculta-os sempre que passa nas proximidades, mesmo que a sua latitude e longitude não coincida exactamente com as dos planetas. Neste caso ocorrerá uma ocultação parcial de Vénus, mas só por algum tempo, pois a Lua desloca-se muito rapidamente.

Em Portugal esta configuração pode ser observada logo a partir das 17h45. Nessa altura, a Lua estará tão próxima de Vénus que quase a oculta. Para quem faz a observação no Brasil, a partir das 19h30 (hora local) o caso já é diferente, pois quando os planetas ficarem visíveis, a Lua já avançou o suficiente para “destapar” Vénus.
Mas já chega de conversas!
Vamos mas é ver a tripla conjunção de Vénus, Júpiter e a Lua, que é espectacular.
… Isto se as nuvens ajudarem, e não nos brindarem com uma indesejada “ocultação”! ![]()

Não conseguimos resistir: vamos voltar a falar de Vénus e Júpiter! Continuam bem visíveis ao fim da tarde, recordando-nos da beleza dos céus, mesmo nos dias mais atarefados.
Como por certo terão reparado os vêm observando os planetas ao longo destes dias, a distância entre os dois é cada vez menor.
No dia em que referimos estes planetas pela primeira vez, no post intitulado Beleza ao entardecer, no passado dia 13, Vénus estava a 01º19’ de Capricórnio e Júpiter a 18º55’ do mesmo signo. Hoje, 12 dias depois, já estão a 15º37 e 21º08 desse signo, respectivamente. Ou seja: no dia 13 distavam 17º36 minutos, hoje distam apenas 05º31’. Nestes 12 dias Vénus avançou 14º18’, enquanto Júpiter apenas se adiantou 02º13’.
Mas já chega de contas! ![]()
O mais importante é compreender a razão destes movimentos.
Esta aproximação ocorre porque Vénus (o mais luminoso dos dois planetas, situado do lado direito), é bastante mais rápida que Júpiter. Como ambos se movem da direita para a esquerda (para quem está virado para poente), podemos dizer que de momento ainda está posicionada “atrás” de Júpiter, mas tendo em conta a sua maior velocidade, sabemos que está prestes a “apanhá-lo”.
A distância entre os dois vai continuar a diminuir rapidamente até à conjunção, que ocorrerá no próximo dia 30, ou seja, daqui a cinco dias.
Voltaremos a falar deste tema no próprio dia da conjunção.
Até lá, estamos em countdown!
Cinco, quatro, três, dois, um… ![]()
Se estiver a ler este post, veja as horas. Sim, as horas! Estão no canto inferior direito do monitor. Se já forem 17h45, tem de levantar-se imediatamente e dirigir-se a uma janela virada a Oeste, para espreitar o céu!
A sério! É que está a perder uma das mais bonitas visões astronómicas dos últimos tempos: Júpiter e Vénus estão bem visíveis no céu da tarde, logo depois do por do Sol.
Para quem está no Brasil, vale a pena ficar atento a partir das 19h30, pois a partir daí já deve ser possível observar os planetas.
A estas horas, estes são os únicos astros visíveis, pois a luminosidade do Sol ainda não se esbateu o suficiente para deixar ver as estrelas. Portanto, não tem nada que enganar! ![]()
Esta é uma excelente ocasião para comparar o brilho e o tamanho aparente dos dois planetas. Vénus é o maior e mais brilhante dos dois; está mais “abaixo” e à “direita” (de quem está virado para o poente), e emite um forte brilho prateado. Júpiter é um pouco menor, está mais “alto” e à “esquerda” e tem um brilho mais suave. Ambos planetas estão no signo de Capricórnio, Vénus logo no início, a 01º19’ e Júpiter já a mais de meio, a 18º55’.
E agora, chega de conversas. Toca a levantar da cadeira e a ir olhar o céu. Garantimos que vale a pena!
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PS: Quem não tiver janela do lado poente, nada está perdido: há outras coisas bonitas para observar no céu. Basta esperar mais um pouco (até cerca das 18h30 para Portugal, ou das 20h45 para o Brasil), e espreitar numa janela virada a nascente, e onde poderá observar o erguer da Lua. É também um espectáculo deslumbrante. ![]()
Um blog para os estudantes de Astrologia que gostam de compreender o que observam nos céus!
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